quarta-feira, 11 de março de 2026

Augusto Licks revisita fase clássica dos Engenheiros do Hawaii em show especial em São Paulo

Guitarrista apresentou repertório marcante de sua passagem pela banda, em uma noite que reuniu fãs antigos e novos e mostrou que essas canções seguem vivas no coração do público.

Por: Alessandro Costa.

Depois de uma bem sucedida turnê ao lado do baterista Carlos Maltz, Augusto Licks segue em plena forma e mostrando boa energia no palco. Foto: Alessandro Costa.

Na noite de 6 de março de 2026, houve um reencontro entre passado e presente do Rock Brasileiro, o guitarrista Augusto Licks esteve em São Paulo para revisitar uma fase que marcou gerações: o período em que integrou os Engenheiros do Hawaii. O show aconteceu no Carioca Club e reuniu fãs de diferentes idades, desde quem acompanhou a banda nos anos 1980 e 1990 até um público mais jovem que conheceu essas músicas depois.

Os carismáticos Sandro Trindade (baixo e voz) e Ananda Torres (bateria) mostraram total domínio sobre o repertório clássico dos Engenheiros do Hawaii.
Foto: Alessandro Costa.

Licks fez parte do grupo entre 1987 e 1993, fase considerada por muitos admiradores como uma das mais criativas da banda e a mais clássica. Foi justamente esse repertório que guiou a apresentação, trazendo de volta canções que ajudaram a consolidar o grupo como um dos nomes importantes do Rock nacional.

Desde os primeiros acordes, a atmosfera era de nostalgia, pois a guitarra Steinberg branca de Licks, que ajudou a moldar a identidade sonora dos Engenheiros naquele período, voltou a ecoar com força no palco. O público respondeu à altura: muita gente cantando junto, celulares erguidos e aquela mistura de emoção e memória que costuma aparecer quando clássicos voltam à vida no palco.

Claro, houve alguns pequenos detalhes ao longo da apresentação, coisas normais em um show que busca recriar uma fase tão específica da carreira de um artista. Mas nada que atrapalhasse a experiência, pelo contrário: a banda mostrou segurança, boa dinâmica e conseguiu manter a energia do começo ao fim, conduzindo o público por um repertório que marcou época.

O formato enxuto de trio do grupo ajudou a valorizar as guitarras e os arranjos que caracterizaram aquela fase do trio original, recriando no palco a atmosfera que muitos fãs guardam com carinho. Para quem acompanhou a história da banda, foi quase como abrir um álbum antigo e reencontrar velhos amigos, e para quem chegou depois, foi a chance de viver ao vivo um capítulo importante do Rock made in Brazil.


Licks, Trindade e Torres mostraram complicidade especial no palco.
Foto: Alessandro Costa.


Ao final, ficou a sensação de missão cumprida, de modo que entre fãs antigos e novos, o show de Augusto Licks em São Paulo funcionou como um reencontro com músicas que atravessaram décadas, e que continuam encontrando relevância para quem cresceu, ou ainda cresce, ouvindo os Engenheiros do Hawaii.

Augusto Licks: Guitarra e vocal
Sandro Trindade: Baixo e voz
Ananda Torres: Bateria

Foi uma noite mais que especial para todos os envolvidos.
Foto: Alessandro Costa.

Set list:

• Toda Forma de Poder
• Tribos e Tribunais
• Sob O Tapete
• Variações Sobre Um Mesmo Tema
• Canibal Vegetariano Devora Planta Carnívora
• Muros e Grades
• A Conquista Do Espelho
• Túnel Do Tempo
• Terra De Gigantes
• Pra Ser Sincero
• Refrão De Bolero
• Curtametragem
• A Revolta Dos Dândis
• Era Um Garoto Que Como Eu Amava Os Beatles e Os Rolling Stones
• Alívio Imediato
• O Exército De Um Homem Só

• Parabólica
• Herdeiro Da Pampa Pobre
• Infinita Highway



quarta-feira, 4 de março de 2026

Days of Ash: o EP do U2 que se apresenta com urgência, mas não empolga de verdade

O novo EP do U2, Days of Ash, lançado de surpresa em 18 de fevereiro de 2026, chega carregado de intenção e discurso, mas, no fim das contas, não entrega o impacto que tanto promete.

Por: Alessandro Costa

O EP surge em um momento que, talvez, não fosse tão necessário, uma vez que a banda prometeu fazer um disco de Rock.
Foto: Spotify.

Longe de ser uma porcaria, Days of Ash também não é aquele retorno arrebatador que parte do público poderia esperar depois de nove anos desde o disco Songs of Experience. Aqui, o quarteto opta por um formato enxuto: seis faixas, cerca de 23 minutos, cinco músicas inéditas e uma poesia musicada. A ideia é forte, mas a execução nem tanto.

Bono explicou o espírito do lançamento ao dizer: “Essas faixas do EP não podiam esperar; essas músicas estavam impacientes para estar no mundo. São canções de desafio e desalento, de lamentação”. Ou seja, canções que nasceram com senso de urgência. E isso transparece, pois o EP gira em torno de tragédias contemporâneas e conflitos do mundo todo, retomando a veia política que marcou momentos importantes da trajetória da banda.

O problema é que mesmo com temas tão densos, poucas passagens realmente ficam na memória do ouvinte. Há sinceridade e indignação nas letras, mas as melodias raramente acompanham esse compasso. Em vários momentos, o EP soa mais discursivo do que musical, como se a mensagem tivesse vindo antes da canção, e não o contrário.

A recepção foi mista, porque alguns elogiaram o retorno à postura combativa e destacaram a urgência presente nas composições, especialmente em The Tears of Things, descrita como “melodicamente e estruturalmente bastante impressionante”. Outros observaram que o conjunto parece mais interessante como conceito do que como experiência sonora.

Faixa a faixa:

American Obituary - Crítica direta à morte de Renée Good em Minneapolis. Começa com um riff de guitarra do The Edge até que animado, no entanto, a canção perde boa parte de sua força no seu decorrer. O final arrebatador, repetidos incontáveis vezes como se fossem milhões de pessoas cantando em um estádio lotado, também não é muito empolgante. Nota 6.

The Tear of the Things - É uma faixa que funciona bem, começa mais arrastada e o vocal de Bono vai crescendo no meio dos violões de The Edge e a brilhante bateria de Larry Mullen Jr. Nota 8.

Song of the Future - É inspirada por histórias trágicas ligadas ao Irã e à Palestina. Tem uma introdução bem semelhante à diversas músicas criadas pela banda neste século: violão unido à um riff de guitarra cheio de efeitos. Não chega a animar tanto quanto deveria, apesar de ter um bom refrão. Nota 7.

Wildpace - Consiste em um poema de Yehuda Amichai transformado em peça atmosférica. Funciona basicamente como uma vinheta de 1 minuto e 18 segundos.

One Life At a Time - Faixa cheia de atmosfera e clima, bem característica do U2. Soa um pouco contida. Durante sua audição, a sensação é de que a música poderia ir para outros caminhos. Pelo menos, o solo de guitarra do The Edge é bem legal. Nota 6.

Yours Eternally - É uma parceria com Ed Sheeran e Taras Topolia, que tenta oferecer o momento mais acessível do trabalho, mas se mostra uma grande bobagem. Nota 4.

No fim, Days of Ash funciona quase como um registro emocional de um tempo conturbado. A intenção é legítima, o posicionamento é claro, mas a música raramente alcança o nível de grandeza que o próprio U2 já demonstrou ser capaz de atingir em tantos momentos gloriosos.

Não é um fracasso, como também também passa longe de ser um trabalho essencial.



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Nasce a banda Catalau e O Último Golpe, unindo legado, continuidade e novos caminhos no Rock Brasileiro

Projeto reúne integrantes históricos do Golpe de Estado e marca a continuidade do legado da banda, com músicas inéditas, clássicos do Rock Nacional e primeiros shows previstos para março de 2026.

Depois de 30 anos, Catalau volta à frente das canções clássicas do Golpe de Estado, trazendo ainda muitas novidades. Foto: Tiago Claro.

Após o encerramento da histórica banda Golpe de Estado, em dezembro de 2025, marcado pelo falecimento do baixista Nelson Brito, em julho de 2024, um novo capítulo começa a ser escrito no Rock Nacional. Surge Catalau E O Último Golpe, projeto que nasce do respeito à trajetória construída ao longo de décadas e do desejo de seguir criando música com identidade, verdade e excelência.

A nova banda reúne nomes profundamente ligados à história do Golpe de Estado e à cena do Rock Brasileiro. À frente está André Catalau, vocalista consagrado e um dos símbolos do gênero no país. Ao seu lado, seguem Marcello Schevano, guitarrista, tecladista, vocalista, compositor e produtor que integrou o Golpe de Estado desde 2016 e soma passagens por bandas clássicas como Patrulha do Espaço, Som Nosso de Cada Dia e Casa das Máquinas, além de ser fundador do estúdio Orra Meu!, um dos mais disputados de São Paulo.

A formação conta ainda com Ricardo Schevano no baixo e Roby Pontes na bateria, músico que integrou o Golpe de Estado desde 2010, é o atual baterista do Carro Bomba, e que também compartilhou a primeira informação sobre a agenda do novo projeto: a banda já tem shows previstos para o mês de março de 2026.

Segundo os integrantes, o trabalho segue em plena atividade criativa, de modo que novas músicas já estão em produção e devem ser apresentadas em breve ao público. Nos shows, além das composições inéditas, o repertório também incluirá grandes clássicos do Golpe de Estado e canções marcantes da carreira de Catalau, preservando a memória afetiva construída com gerações de fãs.

Em declaração emocionante em suas redes sociais, Catalau falou sobre esse momento de transição e continuidade artística:

“É inevitável, tenho uma reta final, para a casa do Pai, só que só eu estou mal acompanhado. Então Deus me apresentou a excelência em instrumentos, músicos e pessoas incríveis, com respeito e reverência que a música merece: excelência. Obrigado, Senhor, por esse time sinistro. Compor é uma das coisas mais importantes da minha vida. Obrigado a todos pela oportunidade de poder entregar um legado profissional de 50 anos. Por amor a vocês, aprendi, ganhei, agora vou retribuir. Não estou falando de coisas materiais, mas de trazer à existência o que não existe, e o dinheiro não compra talento. Deus continue abençoando a todos. Aguardem novidades, já tem músicas novas.”

Catalau e O Último Golpe nasce como um projeto que honra o passado sem abrir mão do futuro, convidando o público a caminhar junto nessa nova fase, com respeito à história, novos sons no horizonte e a mesma paixão pela música que sempre marcou a história de uma das bandas mais importantes do Brasil.

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Matanza Inc. encara a escuridão e renasce em ‘Obscurantista’

Depois de rupturas, hiato e mudança de integrantes, a banda apresenta um EP objetivo que preserva o DNA do Matanza clássico enquanto aponta para um novo capítulo de sua trajetória.

Por: Alessandro Costa


As artes de capa criadas por Marco Donida sempre foram um dos maiores diferenciais do Matanza.
Fonte: Spotify.

O Matanza Inc. chega ao EP Obscurantista depois de uma trajetória marcada por rupturas, recomeços e ajustes de rota, e esse contexto é essencial para entender o peso simbólico desse lançamento. O trabalho não surge do nada, sendo o ponto mais recente de uma linha do tempo que começa com o fim de uma das bandas mais emblemáticas do Hardcore brasileiro.

Em maio de 2018, o Matanza anunciou o encerramento de suas atividades após 22 anos de estrada, alegando questões pessoais, profissionais e artísticas que levaram os integrantes para caminhos distintos. Meses depois, em janeiro de 2019, parte da formação decidiu seguir em frente sem Jimmy London, o eterno vocal do Matanza, criando o Matanza Inc., então com Vital Cavalcante nos vocais. A proposta era clara, dar continuidade ao espírito do Matanza, sem simplesmente repetir fórmulas.

O disco de estreia veio ainda em 2019 com Crônicas do Post Mortem: Um Guia para Demônios e Espíritos Obsessores, álbum que estabeleceu a base estética e conceitual do projeto e circulou em CD e vinil no Brasil e na Europa. No mesmo período, a banda já ocupava palcos relevantes, como o Goiânia Noise Festival, e consolidava sua presença no circuito underground. Em 2022, o grupo aprofunda sua identidade com Retórica Diabólica, um álbum mais direto ainda, que confirmou o Matanza Inc. como algo além de um simples “pós-Matanza”.

A virada mais delicada veio em 2024, quando o vocalista Vital Cavalcante, o baixista Dony Escobar e o baterista Jonas Cáffaro deixaram a banda, levando a um curto hiato. O retorno acontece no mesmo ano, agora com Daniel Pacheco nos vocais, Marcelo Massa no baixo e Marcos Williams na bateria, ao lado do inoxidável Marco Donida, que passa a ser o único integrante remanescente da formação original do Matanza e do Matanza Inc. Em outubro de 2024, a nova fase é apresentada ao público com o single Presença Nefasta, que já sinalizava o caminho estético do EP que viria a seguir.

O Matanza Inc. segue preservando um legado único e original, além de mostrar que pode seguir em frente em novos caminhos.
Fonte: Daniel Agapito.

É nesse contexto de reconstrução que nasce Obscurantista, lançado em janeiro de 2026, em parceria com o selo Monstro Discos e primeiro trabalho completo do Matanza Inc. com a formação atual. Com cinco faixas, o EP preserva a identidade construída ao longo dos anos, bem como aponta para uma evolução natural da sonoridade: mais madura, densa e direta.

Musicalmente, o trabalho reforça o peso característico da banda ao combinar riffs agressivos, grooves sólidos e a já conhecida e clássica aproximação com elementos do country, agora apresentados de forma mais objetiva entre composição e interpretação. Liricamente, as ideias seguem em cena a crítica social, a ironia ácida e o desconforto diante de um mundo em constante colapso, que já são marcas históricas do universo do Matanza, aqui retrabalhadas com menos caricatura e mais amargura.

A produção, assinada por Marco Donida, com gravação de Rodolfo Duarte no High Five Estúdio e mix/master de Gabriel Zander, contribui para um som seco, direto e sem gordura. Cada faixa cumpre sua função dentro do conjunto, reforçando a ideia de um EP conciso, mas impactante, pensado como um bloco único.

Segundo o vocalista Daniel Pacheco, o trabalho foi pensado como um ponto de equilíbrio entre herança e futuro:

“Trabalhamos muito para preservar a alma do Matanza em cada uma dessas músicas, mas também tentamos trazer um respiro de novidade, olhando para frente e fazendo desse trabalho um pontapé inicial para um novo capítulo na história dessa banda que marcou e marca a vida de tanta gente. Espero, de verdade, que ao ouvir esse disco vocês encontrem o que procuram quando bate aquela vontade de ouvir um bom e velho countrycore, como só o MTZ sabe fazer.”

Faixa a faixa:

Marcha Para Asmodeus - A faixa instrumental já abre os trabalhos com uma pegada forte e revigorante, com guitarras duplicadas em cima de um baixo muito presente e marcante. (Nota DEZ)

Presença Nefasta - Foi a primeira música deste EP que se tornou conhecida do público. Com o típico deboche e bom humor característico do Matanza, a música é um barato. O vocal brutal de Daniel casa perfeitamente com os riffs brilhantes de Donida. Já é uma daquelas músicas que nascem clássicas. (Nota DEZ)

Sangue Na Festa - Lembra alguns clássicos do Matanza, como Satânico e Saco Cheio e Mau Humor. É uma letra com a pegada sarcástica já tão conhecida e que é a marca registrada de Donida. Vale destacar a pedaleira dupla e bem discreta da bateria de Williams. (Nota DEZ)

A Única Certeza Da Vida - Traz uma reflexão divertida e ao mesmo tempo sombria sobre a finitude da existência de tudo o que é vivo. Donida manda riffs espertos e que carregam esse sarcasmo genial que escorre pelas pontas de seus dedos. É importante observar que a música apresenta uma mensagem extremamente positiva: “por isso nunca saía da disputa, a morte é a única certeza absoluta, busque sempre uma saída, a morte é a única certeza que você vai ter na vida.” (Nota DEZ)

Obscurantista - A faixa que dá nome ao EP também o encerra. Certamente é a música que eu mais gostei. Um Hardcore sensacional que combina perfeitamente com a letra poderosa. Os riffs galopantes de Donida fazem o ouvinte querer sair batendo a cabeça na parede. (Nota DEZ)

Conclusão

No fim das contas, Obscurantista funciona como mais do que um novo lançamento, é um marco de transição, uma vez que fecha o ciclo de reconstrução iniciado após o hiato de 2024 e abre um novo capítulo para o Matanza Inc., agora mais consciente de sua identidade e de seu lugar na cena pesada nacional. Não é um EP que vive de nostalgia, mas de continuidade, mostrando que o legado do Matanza segue em movimento, mesmo quando o caminho passa pela escuridão.

E além disso, fica a expectativa por um álbum completo em um futuro próximo.









quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Megadeth se despede com um álbum à altura de sua história

 Último disco da banda fecha a carreira de forma coerente, respeitando o legado construído ao longo de mais de quatro décadas.


Por: Alessandro Costa

O disco final do Megadeth marca um capítulo essencial na história do Trash Metal.
Fonte: Spotify.

Formado em Los Angeles, em 1983, por Dave Mustaine, o Megadeth se consolidou como uma das “quatro grandes” do thrash metal mundial ao lado de Metallica, Slayer e Anthrax, ajudando a desenvolver e popularizar o gênero. A banda construiu sua identidade com guitarras tecnicamente complexas, arranjos intrincados, bases rítmicas bem aceleradas, solos em dupla e letras que falam sobre guerra, política, religião, morte e conflitos pessoais.

A estreia veio em 1985, com Killing Is My Business... And Business Is Good!, lançado pela Combat Records, abrindo caminho para o contrato com a Capitol e o impacto de Peace Sells... but Who’s Buying? de 1986 na cena underground. Mesmo atravessando o fim dos anos 80 sob publicidade negativa causada por disputas internas e abuso de substâncias, o Megadeth entrou nos anos 90 em fase de reconhecimento amplo, com álbuns que se tornaram referência e alcançaram platina, como So Far, So Good... So What! de 1988, o clássico Rust in Peace de 1990, Countdown to Extinction de 1992 e Youthanasia de 1994, impulsionados por turnês mundiais.

Ao longo de mais de 40 anos, a banda passou por mudanças constantes de formação, tendo Mustaine como único membro permanente. O grupo se separou temporariamente em 2002 após uma lesão no braço do líder e retornou em 2004 sem o baixista David Ellefson, que voltaria em 2010 e deixaria a banda novamente em 2021.

A trajetória do grupo também acumulou marcas importante: certificações de platina nos Estados Unidos, doze indicações ao Grammy e a vitória em 2017 com “Dystopia”, além da presença recorrente do mascote Vic Rattlehead nas capas, da criação do festival Gigantour e da realização do MegaCruise. Até 2023, o Megadeth havia ultrapassado a marca de 50 milhões de discos vendidos no mundo. Em 2025, Mustaine anunciou que o próximo álbum seria o último e que a banda se encerraria após a turnê de despedida.

Megadeth o disco final

Esse ponto final chega com Megadeth, 17º e último álbum de estúdio do grupo, lançado em 23 de janeiro de 2026. Produzido por Mustaine ao lado de Chris Rakestraw, o disco reúne a formação atual com James LoMenzo no baixo, Teemu Mäntysaari na guitarra e Dirk Verbeuren na bateria. O trabalho marca a única participação de Mäntysaari em um álbum de estúdio do Megadeth e o retorno de LoMenzo às gravações desde Endgame de 2009.

Anunciado em agosto de 2025 como parte do encerramento oficial da banda, o álbum teve campanha construída por singles lançados em etapas: Tipping Point, I Don’t Care, Let There Be Shred e Puppet Parade. A capa revela Vic Rattlehead em chamas, retomando o ícone visual que acompanha a história do grupo. O processo de produção atravessou o fim de 2024 e 2025, com composições iniciadas remotamente e gravações concluídas nos meses seguintes.

Com dez faixas principais e duas bônus, incluindo um cover, que gerou discussão, de Ride The Lightning, do Metallica, e uma faixa exclusiva. Megadeth recebeu críticas mistas e positivas, e alcançou um feito inédito ao estrear no primeiro lugar da Billboard 200. O último álbum não reescreve a história do Megadeth, mas estabelece um encerramento que sintetiza técnica, longevidade e o peso simbólico de uma das bandas centrais do thrash metal.

Faixa a faixa

Tipping Point - Abre o disco com maestria e qualidade. Foi o primeiro single desse último trabalho e mostra-se a escolha certa, é uma música poderosa, um petardo ao melhor estilo do Megadeth. Destaque para o riff inicial que conduz a faixa até explodir no velho, fedorento e maravilhoso Trash Metal que só Dave Mustaine sabe criar. (nota DEZ).

I Don’t Care - Segue mantendo a energia poderosa do álbum. É um recado bem claro aos detratores do Megadeth, mostrando que Mustaine não está nem um pouco preocupado com as opiniões desnecessárias alheias. Pesada e bem consistente, é uma daquelas faixas que promete ser um dos melhores momentos ao vivo na turnê de despedida. Destaque para os solos em dupla de Musta e Teemu. (nota 9).

Hey God?! - Ressalta a fé cristã de Mustaine. Ao mesmo tempo parece não andar muito bem, embora tenha um clima melancólico e questionador, o andamento da música não está bem sintonizado com a melodia vocal que é um pouco mais arrastada. Soa mais como um filler. (nota 6).

Let There Be Shred - Retoma ao clássico, velho, fedorento e maravilhoso Trash Metal. Um dos pontos mais altos desse disco. Pesada e rápida, nos lembra que ainda há coisas bem interessantes vindo ao longo da audição. É uma faixa brilhante e que merece ser executada ao vivo. O solo veloz e inquieto de Teemu é um dos momentos mais bacanas dessa faixa. (nota DEZ).

Puppet Parade - Começa com um riff muito interessante e curioso. É um trash/heavy comum e bem tradicional do Megadeth. É um bom momento, embora soe meio longa e não seja de extraordinário. (nota 8).

Another Bad Day - Outra faixa que não fede e nem cheira. Mesmo sendo boa e agradável de se ouvir, parece mais que foi escrita para preencher algum espaço na rotação do álbum. Por outro lado, a bateria sólida e criativa de Dirk Verbeuren merece um grande reconhecimento, é o que faz a música valer a pena. (nota 7).

Made To Kill - Já começa com um pequeno solo de Dirk, que logo é acompanhado pelas guitarras e o baixo, se tornando um Heavy Metal de alta qualidade e depois ainda sofre uma mudança genial de tempo e entramos em um Trash Metal incrível e rápido. É um dos melhores momentos desse álbum, e pode ser que soe muito bem nos palcos devido à toda essa dinâmica dos tempos que ocorrem durante seus 4 minutos de duração. (nota DEZ).

• Obey The Call - De começo parece não entrar muito. Seu início choroso se torna um Heavy Metal de guitarras poderosas e um Dave Mustaine furioso e debochado nos vocais. Não é também uma das melhores músicas do álbum, mas a sua parte final vale a pena. (nota 7,5).


• I Am War - Traz um dos temas mais comuns das letras do Megadeth, desde os primórdios até hoje em dia: guerras e conflitos sociais. É uma faixa comum que só pela sua letra já vale a pena e se torna um momento memorável na reta final do Megadeth. (nota 9).


The Last Note - A carta final ao público do Megadeth. Começa com um Dave Mustaine cansado proclamando os primeiros versos, mas depois se torna um valioso Heavy Metal. É uma faixa digna para fechar o último trabalho da banda, uma vez que, além de ser uma grande música, ressalta o respeito que Musta tem com o seu público fiel que o acompanha durante todos esses anos. O único ponto negativo nessa canção é o solo de violão que parece perdido no meio da força das guitarras. Acaba da mesma forma que começou: com um Dave Mustaine narrando os versos finais. (nota 9).

Ride The Lightning (bonus track) - E o mais improvável aconteceu: Dave Mustaine resgatou uma faixa dos seus tempos de Metallica. Ride The Lightning foi gravada pelo Metallica em 1984 e deu nome ao segundo disco da banda. Por ser um dos autores da música, Dave tem o direito de regravá-la à seu modo, de modo que muitos fãs do Megadeth defendem que a música é sua por direito. Aqui temos uma versão menos crua que a versão original do Metallica, talvez a tecnologia tenha total relação com isso. Não penso que tenha sido uma boa ideia deixá-la para o final, poderia ter sido um lado B de algum single. (nota 9).


Conclusão


Embora tenha alguns momentos de desequilíbrio, esse último disco do Megadeth é uma celebração de um legado de mais de 40 anos! Encerra com total dignidade a discografia de uma das bandas mais importantes do Trash e Heavy Metal. Vale lembrar que em 2 de maio de 2026, a turnê de despedida da banda passa pelo Brasil, em São Paulo, no Espaço Unimed.

Nota geral do álbum: 8.


Discografia de estúdio:

Killing Is My Business… and Business Is Good! (1985)
Peace Sells… but Who’s Buying? (1986)
So Far, So Good… So What! (1988)
Rust in Peace (1990)
Countdown to Extinction (1992)
Youthanasia (1994)
Cryptic Writings (1997)
Risk (1999)
The World Needs a Hero (2001)
The System Has Failed (2004)
United Abominations (2007)
Endgame (2009)
Th1rt3en (2011)
Super Collider (2013)
Dystopia (2016)
The Sick, the Dying... and the Dead! (2022)

Discografia ao vivo:

Rude Awakening (2002)
That One Night: Live in Buenos Aires (2007)
Rust in Peace Live (2010)
The Big Four: Live from Sofia, Bulgaria (2010)
Countdown to Extinction: Live (2013)
Unplugged in Boston (2021)


1996 - 2026: Há 30 Anos Os Ramones Faziam Seu Último Show

Realizada em Hollywood, a despedida da banda reuniu convidados especiais, entrou para a história do Rock e, três décadas depois, ainda despe...