quarta-feira, 1 de abril de 2026

Titãs celebram 40 anos de 'Cabeça Dinossauro' com noite histórica em São Paulo

Com o Espaço Unimed lotado, banda transforma o clássico em experiência viva e prova que sua urgência continua pulsando quatro décadas depois.

Por: Alessandro Costa

Lendária banda paulistana mostrou cumplicidade e foco na celebração do álbum mais importante de sua história.
Foto: Alessandro Costa

Na noite de 28 de março de 2026, não era só mais um show em São Paulo, havia algo diferente no ar. Do lado de fora e dentro do Espaço Unimed, na Barra Funda, a sensação era de reencontro entre gerações, memórias e um disco que nunca deixou de incomodar. Quando os Titãs surgiram para celebrar os 40 anos de Cabeça Dinossauro, ficou claro que não se tratava apenas de revisitar um álbum, mas de reviver um estado de espírito.

Cabeça Dinossauro: O Choque

Mesmo 4 décadas após o seu lançamento, Cabeça Dinossauro continua necessário.
Foto: Alessandro Costa


Para entender a força daquele momento, é preciso voltar a 1986, quando o Brasil vivia um período turbulento, ainda atravessando os últimos respiros da ditadura militar, em meio à frustração causada pela morte de Tancredo Neves. O clima era de desilusão, quase sem esperanças. Dentro da banda, o cenário também era de tensão, porque após o pouco sucesso do álbum Televisão, incompreendido pela gravadora e pouco trabalhado, havia um sentimento de desgaste, de ceticismo com a música e com a própria carreira.

Como lembraria o baterista Charles Gavin, o disco nasceu de um lugar de raiva, do mercado, da gravadora, de tudo. Esse estado emocional se somava a acontecimentos marcantes, como a prisão do vocalista Arnaldo Antunes e do guitarrista Tony Bellotto por porte de heroína em dezembro de 1985, que também influenciaram diretamente a mudança estética da banda. Mas essa virada não aconteceu de forma repentina, como apontam os próprios integrantes, os sinais dessa sonoridade mais pesada já estavam ali em músicas anteriores.

Em fevereiro de 1986, antes mesmo do lançamento, o vocalista Branco Mello já antecipava que o próximo trabalho teria um “rock mais seco, mais cru”, com um som “mais primitivo, mais visceral”. Era exatamente isso que viria a se concretizar, pois como observou Bellotto anos depois, aquela linguagem já fazia parte do DNA da banda, um encontro entre crítica, peso, punk, mas também elementos de reggae e funk. Para o coprodutor Pena Schmidt, Cabeça Dinossauro representava um ponto de equilíbrio entre duas forças: a busca pela perfeição fonográfica e a afirmação da rebeldia.

Havia também uma necessidade clara de identidade, uma vez que com oito integrantes, múltiplos vocalistas e sem uma figura central, os Titãs ainda buscavam uma forma definitiva, e Cabeça Dinossauro mudaria essa leitura.

Mesmo após críticas ao trabalho anterior do produtor e ex Mutante, Liminha, ele foi escolhido para produzir o disco. A intenção era clara: capturar no estúdio a energia crua que a banda já demonstrava ao vivo. O repertório já estava praticamente definido antes das gravações, que aconteceram de forma intensa e rápida, pouco mais de um mês no estúdio Nas Nuvens, localizado no Rio de Janeiro, após uma demo registrada em apenas dois dias em São Paulo.

A urgência também se refletia nos detalhes. AA UU foi a primeira faixa gravada, já testada nos palcos, enquanto O Quê fechou o processo, depois de uma semana de gravação. Algumas músicas passaram por mudanças mais profundas, como Família e a própria faixa final. Em A Face do Destruidor, o vocal foi registrado em um único fôlego, sobre uma base invertida. Bellotto, por sua vez, experimentava até na execução dos solos, alternando a palheta com um anel para criar efeitos percussivos na guitarra, como é o caso de Bichos Escrotos. Tudo ali apontava para experimentação, risco e entrega.


Cabeça Dinossauro rendeu o primeiro disco de ouro da carreira dos Titãs. A entrega aconteceu em dezembro de 1986, no camarim do antigo Projeto SP.
Foto: Rosane Medeiros.

A estética visual do disco também rompia padrões, a capa foi inspirada em um estudo de Leonardo da Vinci, “A expressão de um homem urrando”, enquanto a contracapa utilizava outro desenho do artista, “Cabeça Grotesca”. As imagens vieram diretamente do Museu do Louvre, substituindo reproduções de baixa qualidade que a banda possuía. Era uma escolha ousada, uma das primeiras capas do rock brasileiro a não trazer a foto dos artistas. Essa ideia marcou a estreia do tecladista e vocalista Sérgio Britto como autor de diversas capas de álbuns da banda.

As primeiras 30 mil cópias ainda contaram com um acabamento especial, em papel fosco e poroso, mais caro que o convencional, viabilizado pelo apoio da gravadora na época. O reconhecimento veio também no campo visual: em 1987, a capa foi premiada em um concurso dedicado às melhores artes de discos de rock.

Quatro décadas depois, tudo isso ainda reverbera.

Cabeça Dinossauro: O Legado

Sérgio Britto, Tony Bellotto e Branco Mello seguem mantendo o legado dos Titãs sempre vivo. Foto: Alessandro Costa

O início do show foi silencioso, mas poderoso: no telão, a carta de censura de Bichos Escrotos. Um documento antigo, mas que ainda causa desconforto, sendo o tipo de abertura que não precisa de explicação, só de presença. Era um lembrete de que Cabeça Dinossauro nunca foi apenas música.

No palco, Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto, ao lado dos guitarristas Alexandre de Orio e Beto Lee, e o baterista Mario Fabre, começaram a tocar o disco na íntegra. Sem discursos longos, sem firulas, só música, que veio com força, precisa, ensaiada, mas longe de ser fria. Havia peso, havia sujeira, e, principalmente, havia verdade. Era como se o tempo não tivesse suavizado nada.

Algumas mudanças deram novos contornos ao repertório: Bellotto assumiu vocais de músicas que marcaram outras fases da banda, como Igreja, Família e Estado Violência, ligadas a Nando Reis e Paulo Miklos, enquanto Britto trouxe intensidade renovada para canções como A Face Do Destruidor e O Quê que carrega a assinatura de Arnaldo Antunes. Não era tentativa de reproduzir o passado, mas de dar continuidade e celebrar.


Um dos melhores momentos do show: Branco Mello assumindo os vocais.
Foto: Alessandro Costa.

Se houve um momento em que tudo pareceu desacelerar, foi quando Branco Mello assumiu o centro da cena. Sua voz, hoje mais rouca, mais marcada, carrega cicatrizes e também força. Depois de enfrentar problemas sérios de saúde, ele não apenas cantava, se colocava ali inteiro. E o público sentia, não era sobre perfeição, era sobre verdade.

A parceria entre Alexandre de Orio e Beto Lee trouxe ainda mais densidade ao som, pois as guitarras vinham como uma onda constante, sustentando e tensionando cada música, ampliando o peso sem perder a essência, uma excelente homenagem ao legado do saudoso guitarrista Marcelo Fromer, falecido em junho de 2001. Na segunda parte do show, vieram surpresas que arrancaram reações imediatas, músicas menos óbvias, algumas há anos fora do repertório, como Armas Pra Lutar, Vou Duvidar e Eu Não Aguento apareceram como presentes para quem acompanha a banda de perto, mas que também funcionavam para quem estava ali pela primeira vez.

Sérgio Britto em um grande momento de explosão de energia.
Foto: Alessandro Costa

Na plateia, não havia um perfil único, gente que viveu os anos 80, jovens que conheceram o disco muito depois, curiosos, fãs antigos e muitos outros tipos. Todos cantando, cada um à sua maneira. Talvez seja esse o maior feito de Cabeça Dinossauro: ele não envelheceu porque nunca tentou ser confortável.

Ao final da noite, mais do que um show, ficou a sensação de atravessar algo, de lembrar ou descobrir que certos discos não pertencem ao passado, eles continuam acontecendo.

E as comemorações pelos 40 anos de Cabeça Dinossauro estão apenas começando.
Foto: Alessandro Costa


Set List:

• Cabeça Dinossauro
• AA UU
• Igreja
• Polícia
• Estado Violência
• A Face Do Destruidor
• Porrada
• Tô Cansado
• Bichos Escrotos
• Família
• Homem Primata
• Dívidas
• O Quê

• Será Que É Isso O Que Eu Necessito?
• Anjo Exterminador
• Armas Pra Lutar
• Canção da Vingança
• Vou Duvidar
• Eu Não Sei Fazer Música
• Diversão
• Nem Sempre Se Pode Ser Deus
• Eu Não Aguento
• Lugar Nenhum

• Desordem
• Flores

Titãs:
Branco Mello - Baixo e voz
Sérgio Britto - Teclados e voz
Tony Bellotto - Guitarra e voz

Músicos convidados:
Alexandre de Orio - Guitarra e vocais
Beto Lee - Guitarra e vocais
Mario Fabre - Bateria e vocais



quarta-feira, 18 de março de 2026

The Damned transforma luto em reverência em Not Like Everybody Else

Gravado às pressas e marcado pela ausência de Brian James, álbum de covers revisita influências da banda em um tributo direto, emocional e sem pretensão de reinvenção.


Por: Alessandro Costa


Not Like Everybody Else chega em um momento especial na carreira da lendária banda Punk.
Fonte: Spotify.

Mais do que um novo capítulo, Not Like Everybody Else é um gesto de despedida. Lançado em 23 de janeiro de 2026, o 13º álbum de estúdio do The Damned, importante banda formada na década de 1970 e sendo uma das mais influentes do movimento Punk. O disco funciona como um tributo direto ao guitarrista fundador Brian James, morto em março de 2025, e cuja ausência paira sobre todo o disco.

Gravado em apenas cinco dias no estúdio Revolver, em Los Angeles, e produzido por Mikal Blue, o álbum abandona a ideia de material inédito para revisitar canções que moldaram o gosto de James. O resultado é uma coletânea de covers que vai de Pink Floyd a The Kinks, passando por The Rolling Stones, este último com participação póstuma do próprio guitarrista em The Last Time, usando registros ao vivo de 2022.

Há algo de urgente e emocional nesse formato: menos reinvenção, mais reverência. Singles como There’s a Ghost in My House e See Emily Play reforçam essa ideia de homenagem direta, enquanto o repertório como um todo funciona meio que como um mapa afetivo da banda.

A volta do baterista Rat Scabies ao estúdio, pela primeira vez desde os anos 1990, ajuda a dar unidade ao projeto, que também carrega o peso simbólico de uma formação histórica reunida.

Faixa a faixa:

There’s A Ghost In My House: Funciona perfeitamente como faixa de abertura do disco. É divertida e tem uma levada super pra cima, mostrando que vem muita coisa interessante na sequência. Foi gravada originalmente por R. Dean Taylor. Nota DEZ.

Summer In The City: Preserva o bom clima, sendo interpretada de forma brilhante pelo vocalista Dave Vanian. Foi gravada originalmente pelo The Lovin’ Spoonful. Nota DEZ.

Making Time: Começa com um riff poderoso do Captain Sensible acompanhado pelo baixo de Paul Gray. É um dos melhores momentos do álbum. Foi gravada originalmente pelo The Creation. Nota DEZ.

Gimme Danger: Preserva a melancolia da versão original. Dave faz uma excelente interpretação, com a mesma energia de Iggy Pop. Foi gravada originalmente pelos Stooges. Nota DEZ.

See Emily Play: Provavelmente é o melhor momento do disco. Uma faixa pouco conhecida, gravada originalmente pelo Pink Floyd em 1968, se mostra bem fiel ao arranjo original e traz uma certa modernidade, poderia soar como algo totalmente inédito em 2026. Nota DEZ.

I’m Not Like Everybody Else: É outro grande momento melancólico, uma homenagem à um grande amigo. Foi gravada originalmente pelos Kinks. Nota 9.

Heart Full of Soul: Combina perfeitamente com a vibe do disco, é um momento muito interessante, especialmente pelas mudanças de andamento ao longo da música. Foi gravada originalmente pelos Yardbirds. Nota Dez.

You Must Be A Witch: Segura bem a vibe divertida das duas primeiras músicas do álbum. Faz o ouvinte querer sair pulando e dançando. Uma jóia. Foi gravada originalmente pelo The Lollipop Shoppe. Nota DEZ.

When I Was Young: Soando um pouco diferente da versão original do The Animals de 1967, mas preservando o espírito original, se mostra um dos momentos de maior liberdade dentro do disco. Foi gravada também pelos Ramones no álbum Acid Eaters de 1994. Nota DEZ.

The Last Time: Fecha o disco com total elegância, uma vez que é um dos maiores clássicos dos Rolling Stones. Foi gravada ao vivo ainda com a presença do falecido guitarrista Brian James. Nota DEZ.

Longe de ser um disco revolucionário, Not Like Everybody Else encontra sua força justamente na memória, sendo um álbum que olha para trás sem nostalgia vazia ou forçada, pois há mais respeito do que risco, mais afeto do que ruptura, e talvez seja exatamente isso que o torna relevante, não como reinvenção do The Damned, mas como um retrato honesto de quem eles foram e são, e de quem ajudou a construir essa história.


 

quarta-feira, 11 de março de 2026

Augusto Licks revisita fase clássica dos Engenheiros do Hawaii em show especial em São Paulo

Guitarrista apresentou repertório marcante de sua passagem pela banda, em uma noite que reuniu fãs antigos e novos e mostrou que essas canções seguem vivas no coração do público.

Por: Alessandro Costa.

Depois de uma bem sucedida turnê ao lado do baterista Carlos Maltz, Augusto Licks segue em plena forma e mostrando boa energia no palco. Foto: Alessandro Costa.

Na noite de 6 de março de 2026, houve um reencontro entre passado e presente do Rock Brasileiro, o guitarrista Augusto Licks esteve em São Paulo para revisitar uma fase que marcou gerações: o período em que integrou os Engenheiros do Hawaii. O show aconteceu no Carioca Club e reuniu fãs de diferentes idades, desde quem acompanhou a banda nos anos 1980 e 1990 até um público mais jovem que conheceu essas músicas depois.

Os carismáticos Sandro Trindade (baixo e voz) e Ananda Torres (bateria) mostraram total domínio sobre o repertório clássico dos Engenheiros do Hawaii.
Foto: Alessandro Costa.

Licks fez parte do grupo entre 1987 e 1993, fase considerada por muitos admiradores como uma das mais criativas da banda e a mais clássica. Foi justamente esse repertório que guiou a apresentação, trazendo de volta canções que ajudaram a consolidar o grupo como um dos nomes importantes do Rock nacional.

Desde os primeiros acordes, a atmosfera era de nostalgia, pois a guitarra Steinberg branca de Licks, que ajudou a moldar a identidade sonora dos Engenheiros naquele período, voltou a ecoar com força no palco. O público respondeu à altura: muita gente cantando junto, celulares erguidos e aquela mistura de emoção e memória que costuma aparecer quando clássicos voltam à vida no palco.

Claro, houve alguns pequenos detalhes ao longo da apresentação, coisas normais em um show que busca recriar uma fase tão específica da carreira de um artista. Mas nada que atrapalhasse a experiência, pelo contrário: a banda mostrou segurança, boa dinâmica e conseguiu manter a energia do começo ao fim, conduzindo o público por um repertório que marcou época.

O formato enxuto de trio do grupo ajudou a valorizar as guitarras e os arranjos que caracterizaram aquela fase do trio original, recriando no palco a atmosfera que muitos fãs guardam com carinho. Para quem acompanhou a história da banda, foi quase como abrir um álbum antigo e reencontrar velhos amigos, e para quem chegou depois, foi a chance de viver ao vivo um capítulo importante do Rock made in Brazil.


Licks, Trindade e Torres mostraram complicidade especial no palco.
Foto: Alessandro Costa.


Ao final, ficou a sensação de missão cumprida, de modo que entre fãs antigos e novos, o show de Augusto Licks em São Paulo funcionou como um reencontro com músicas que atravessaram décadas, e que continuam encontrando relevância para quem cresceu, ou ainda cresce, ouvindo os Engenheiros do Hawaii.

Augusto Licks: Guitarra e vocal
Sandro Trindade: Baixo e voz
Ananda Torres: Bateria

Foi uma noite mais que especial para todos os envolvidos.
Foto: Alessandro Costa.

Set list:

• Toda Forma de Poder
• Tribos e Tribunais
• Sob O Tapete
• Variações Sobre Um Mesmo Tema
• Canibal Vegetariano Devora Planta Carnívora
• Muros e Grades
• A Conquista Do Espelho
• Túnel Do Tempo
• Terra De Gigantes
• Pra Ser Sincero
• Refrão De Bolero
• Curtametragem
• A Revolta Dos Dândis
• Era Um Garoto Que Como Eu Amava Os Beatles e Os Rolling Stones
• Alívio Imediato
• O Exército De Um Homem Só

• Parabólica
• Herdeiro Da Pampa Pobre
• Infinita Highway



quarta-feira, 4 de março de 2026

Days of Ash: o EP do U2 que se apresenta com urgência, mas não empolga de verdade

O novo EP do U2, Days of Ash, lançado de surpresa em 18 de fevereiro de 2026, chega carregado de intenção e discurso, mas, no fim das contas, não entrega o impacto que tanto promete.

Por: Alessandro Costa

O EP surge em um momento que, talvez, não fosse tão necessário, uma vez que a banda prometeu fazer um disco de Rock.
Foto: Spotify.

Longe de ser uma porcaria, Days of Ash também não é aquele retorno arrebatador que parte do público poderia esperar depois de nove anos desde o disco Songs of Experience. Aqui, o quarteto opta por um formato enxuto: seis faixas, cerca de 23 minutos, cinco músicas inéditas e uma poesia musicada. A ideia é forte, mas a execução nem tanto.

Bono explicou o espírito do lançamento ao dizer: “Essas faixas do EP não podiam esperar; essas músicas estavam impacientes para estar no mundo. São canções de desafio e desalento, de lamentação”. Ou seja, canções que nasceram com senso de urgência. E isso transparece, pois o EP gira em torno de tragédias contemporâneas e conflitos do mundo todo, retomando a veia política que marcou momentos importantes da trajetória da banda.

O problema é que mesmo com temas tão densos, poucas passagens realmente ficam na memória do ouvinte. Há sinceridade e indignação nas letras, mas as melodias raramente acompanham esse compasso. Em vários momentos, o EP soa mais discursivo do que musical, como se a mensagem tivesse vindo antes da canção, e não o contrário.

A recepção foi mista, porque alguns elogiaram o retorno à postura combativa e destacaram a urgência presente nas composições, especialmente em The Tears of Things, descrita como “melodicamente e estruturalmente bastante impressionante”. Outros observaram que o conjunto parece mais interessante como conceito do que como experiência sonora.

Faixa a faixa:

American Obituary - Crítica direta à morte de Renée Good em Minneapolis. Começa com um riff de guitarra do The Edge até que animado, no entanto, a canção perde boa parte de sua força no seu decorrer. O final arrebatador, repetidos incontáveis vezes como se fossem milhões de pessoas cantando em um estádio lotado, também não é muito empolgante. Nota 6.

The Tear of the Things - É uma faixa que funciona bem, começa mais arrastada e o vocal de Bono vai crescendo no meio dos violões de The Edge e a brilhante bateria de Larry Mullen Jr. Nota 8.

Song of the Future - É inspirada por histórias trágicas ligadas ao Irã e à Palestina. Tem uma introdução bem semelhante à diversas músicas criadas pela banda neste século: violão unido à um riff de guitarra cheio de efeitos. Não chega a animar tanto quanto deveria, apesar de ter um bom refrão. Nota 7.

Wildpace - Consiste em um poema de Yehuda Amichai transformado em peça atmosférica. Funciona basicamente como uma vinheta de 1 minuto e 18 segundos.

One Life At a Time - Faixa cheia de atmosfera e clima, bem característica do U2. Soa um pouco contida. Durante sua audição, a sensação é de que a música poderia ir para outros caminhos. Pelo menos, o solo de guitarra do The Edge é bem legal. Nota 6.

Yours Eternally - É uma parceria com Ed Sheeran e Taras Topolia, que tenta oferecer o momento mais acessível do trabalho, mas se mostra uma grande bobagem. Nota 4.

No fim, Days of Ash funciona quase como um registro emocional de um tempo conturbado. A intenção é legítima, o posicionamento é claro, mas a música raramente alcança o nível de grandeza que o próprio U2 já demonstrou ser capaz de atingir em tantos momentos gloriosos.

Não é um fracasso, como também também passa longe de ser um trabalho essencial.



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Nasce a banda Catalau e O Último Golpe, unindo legado, continuidade e novos caminhos no Rock Brasileiro

Projeto reúne integrantes históricos do Golpe de Estado e marca a continuidade do legado da banda, com músicas inéditas, clássicos do Rock Nacional e primeiros shows previstos para março de 2026.

Depois de 30 anos, Catalau volta à frente das canções clássicas do Golpe de Estado, trazendo ainda muitas novidades. Foto: Tiago Claro.

Após o encerramento da histórica banda Golpe de Estado, em dezembro de 2025, marcado pelo falecimento do baixista Nelson Brito, em julho de 2024, um novo capítulo começa a ser escrito no Rock Nacional. Surge Catalau E O Último Golpe, projeto que nasce do respeito à trajetória construída ao longo de décadas e do desejo de seguir criando música com identidade, verdade e excelência.

A nova banda reúne nomes profundamente ligados à história do Golpe de Estado e à cena do Rock Brasileiro. À frente está André Catalau, vocalista consagrado e um dos símbolos do gênero no país. Ao seu lado, seguem Marcello Schevano, guitarrista, tecladista, vocalista, compositor e produtor que integrou o Golpe de Estado desde 2016 e soma passagens por bandas clássicas como Patrulha do Espaço, Som Nosso de Cada Dia e Casa das Máquinas, além de ser fundador do estúdio Orra Meu!, um dos mais disputados de São Paulo.

A formação conta ainda com Ricardo Schevano no baixo e Roby Pontes na bateria, músico que integrou o Golpe de Estado desde 2010, é o atual baterista do Carro Bomba, e que também compartilhou a primeira informação sobre a agenda do novo projeto: a banda já tem shows previstos para o mês de março de 2026.

Segundo os integrantes, o trabalho segue em plena atividade criativa, de modo que novas músicas já estão em produção e devem ser apresentadas em breve ao público. Nos shows, além das composições inéditas, o repertório também incluirá grandes clássicos do Golpe de Estado e canções marcantes da carreira de Catalau, preservando a memória afetiva construída com gerações de fãs.

Em declaração emocionante em suas redes sociais, Catalau falou sobre esse momento de transição e continuidade artística:

“É inevitável, tenho uma reta final, para a casa do Pai, só que só eu estou mal acompanhado. Então Deus me apresentou a excelência em instrumentos, músicos e pessoas incríveis, com respeito e reverência que a música merece: excelência. Obrigado, Senhor, por esse time sinistro. Compor é uma das coisas mais importantes da minha vida. Obrigado a todos pela oportunidade de poder entregar um legado profissional de 50 anos. Por amor a vocês, aprendi, ganhei, agora vou retribuir. Não estou falando de coisas materiais, mas de trazer à existência o que não existe, e o dinheiro não compra talento. Deus continue abençoando a todos. Aguardem novidades, já tem músicas novas.”

Catalau e O Último Golpe nasce como um projeto que honra o passado sem abrir mão do futuro, convidando o público a caminhar junto nessa nova fase, com respeito à história, novos sons no horizonte e a mesma paixão pela música que sempre marcou a história de uma das bandas mais importantes do Brasil.

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Titãs celebram 40 anos de 'Cabeça Dinossauro' com noite histórica em São Paulo

Com o Espaço Unimed lotado, banda transforma o clássico em experiência viva e prova que sua urgência continua pulsando quatro décadas depois...