quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

“1, 2, 3, 4! Contando O Tempo Com Os Paralamas Do Sucesso”: Um Livro Necessário Para Compreender A História Do Rock Brasileiro

Escrito pelo baterista João Barone, o livro mostra um panorama completo da trajetória de uma das bandas mais importantes da música brasileira, além de mostrar todo o contexto histórico do Rock Made In Brazil.


Por: Alessandro Costa



João Barone conta todas as suas aventuras com Os Paralamas Do Sucesso de forma dinâmica e detalhada.

Fonte: Alessandro Costa


Os Paralamas Do Sucesso são uma das mais importantes bandas da história da música brasileira, permanecendo em atividade desde 1981, com uma discografia extensa e inúmeras canções que se tornaram clássicos inquestionáveis da música brasileira, como “Vital E Sua Moto”, “Meu Erro”, “Alagados”, “Uma Brasileira”, “Cuide Bem Do Seu Amor”, entre muitos outros.


João Barone, o baterista que se tornou uma das figuras centrais dos Paralamas Do Sucesso, compartilha em seu livro "1,2,3,4! Contando O Tempo Com Os Paralamas Do Sucesso" uma narrativa intimista e detalhada de sua trajetória musical e pessoal, que se entrelaça com a própria história da banda. Com um estilo de escrita dinâmico e envolvente, Barone não apenas rememora sua vida ao lado de Herbert Vianna e Bi Ribeiro, mas também mergulha nas influências culturais, nos desafios da juventude e nas viradas que o levaram a se tornar uma das maiores lendas da música brasileira.

A obra, que se expande desde sua infância até 2002, com foco no início da carreira do grupo, é uma verdadeira cápsula do tempo que resgata a década de 70 e 80, períodos fundamentais para a construção do som dos Paralamas e, por consequência, para a música brasileira. Barone inicia a narrativa de maneira pessoal, detalhando suas primeiras experiências com a bateria, suas incertezas e o contexto político e cultural que moldava sua geração. O Brasil vivia o regime militar, com seus ecos de censura e repressão, enquanto o mundo se movimentava com a efervescência do rock e das novas linguagens musicais.

O ponto de partida da história é, sem dúvida, o encontro casual com Bi Ribeiro, que viria a mudar o rumo de sua vida e da banda. O acaso, como muitos momentos cruciais na história do Rock, se revela o motor propulsor que coloca João Barone no palco dos Paralamas Do Sucesso, substituindo temporariamente o baterista Vital Dias. A conexão entre os três músicos, Barone, Bi e Herbert Vianna , se torna imediata, e ali, em um improvisado show, se constrói o que veio a ser o futuro da banda.

A leitura segue pelos bastidores das gravações dos discos mais emblemáticos do grupo, como “O Passo do Lui” de 1984 e “Selvagem?”  de 1986, com detalhes sobre o processo criativo, a troca de ideias e as influências que marcaram a sonoridade dos Paralamas. O livro também explora momentos icônicos, como a gravação de “Alagados”, a colaboração com Gilberto Gil, e os encontros com lendas internacionais, como Stewart Copeland, baterista do The Police, e Brian May, guitarrista do Queen. Essas histórias são recheadas de entusiasmo e admiração, evidenciando o respeito que Barone tem pelos mestres da música.

Além disso, o baterista também exalta a importância dos diversos músicos de apoio que acompanharam a banda durante as últimas 4 décadas, como o tecladista João Fera, e todos os músicos que fecharam o lineup de metais, o que ajudou a consolidar ainda mais as características do som único dos Paralamas.

Além das memórias musicais, Barone compartilha com generosidade os aspectos técnicos de sua relação com a bateria. Ele detalha seu setup, seus pratos e preferências, traçando um perfil meticuloso de sua relação com a música e com seu instrumento. A sua devoção à marca Tama é um dos muitos toques pessoais que tornam o livro mais interessante para os fãs da arte de tocar bateria.

Claro que, em uma obra que percorre os primeiros 20 anos de carreira da banda, o acidente aéreo que quase tirou a vida de Herbert Vianna, e que vitimou fatalmente sua esposa Lucy, é um marco. Barone fala com sensibilidade sobre a tragédia e o impacto que teve não só na vida de Herbert, mas também em toda a dinâmica da banda, que precisou se reinventar diante de uma perda irreparável e de desafios imensos.

O livro se encerra por volta de 2002, mas deixa no ar uma possibilidade: será que teremos um segundo volume que conte as histórias dos Paralamas do Sucesso no século XXI? A obra, com seu formato autobiográfico, entrega o que o fã da banda mais deseja: uma visão íntima e sem filtros da construção do legado dos Paralamas Do Sucesso, mas ainda fica a sensação de que muitas histórias ainda estão por ser contadas.

 "1,2,3,4! Contando O Tempo Com Os Paralamas Do Sucesso" é uma leitura obrigatória para quem aprecia a música dos Paralamas Do Sucesso, o Rock Brasileiro e, especialmente, a arte de João Barone. Mais do que um relato sobre a formação de uma banda, é um mergulho na alma de um músico apaixonado que, por meio da bateria, ajudou a eternizar o som de uma geração.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Por qual motivo uma cinebiografia dos Ramones nunca vai acontecer? Marky Ramone explica

Nos últimos anos, os herdeiros da Ramones Productions protagonizaram muitas disputas judiciais, e isso dificulta ainda mais qualquer produção cinematográfica sobre a banda.


Por: Alessandro Costa



O primeiro disco que Marky gravou com os Ramones foi o “Road To Ruin”, de 1978.

Fonte: Danny Fields


A história dos Ramones, uma das bandas mais icônicas do punk rock, continua a gerar controvérsias quase três décadas após o encerramento de suas atividades. Os membros sobreviventes, seus familiares e antigos colaboradores têm se envolvido em batalhas jurídicas e discussões públicas sobre o legado da banda, refletindo as tensões e divergências que marcam o universo pós-Ramones.

Entre os protagonistas dessa história está Mickey Leigh, irmão do lendário vocalista Joey Ramone, que faleceu em 2001, e Linda Danielle “Ramone”, viúva do guitarrista Johnny Ramone, falecido em 2004. Os dois têm travado disputas legais ao longo dos últimos 20 anos, com um dos capítulos mais recentes envolvendo um processo de Linda contra Mickey, referente ao uso do nome da banda em um projeto biográfico sobre Joey Ramone.

O Processo de Linda Danielle contra Mickey Leigh

Em 2024, Linda "Ramone" processou Mickey Leigh por alegações de uso indevido do nome Ramones. A disputa surgiu em meio à produção de uma série biográfica sobre Joey Ramone para a Netflix. O projeto é baseado no livro Eu Dormi Com Joey Ramone, escrito por Mickey em parceria com Legs McNeil, da Punk Magazine, e publicado em 2011. Linda acusa Leigh de não ter autorização para utilizar o nome da banda de forma tão explícita na produção da série.

Para entender a gravidade da situação, é importante considerar que tanto Linda quanto Mickey têm se considerado defensores do legado dos Ramones, mas com abordagens muito diferentes. Linda, por ser esposa de Johnny Ramone, sempre teve um papel fundamental na preservação da memória de seu marido e da banda, mas sua ausência durante os anos de formação e crescimento da banda é um ponto de discórdia.

Marky Ramone: A Visão do Baterista Sobre a Produção Cinematográfica

Marky Ramone, baterista da banda entre 1978 e 1983, retornando para a formação em 1987 e permanecendo até o encerramento das atividades da banda em 1996, tem sido uma das vozes mais críticas em relação às recentes tentativas de revisitar a história dos Ramones no cinema. Em entrevista à WENN, Marky expressou desconfiança sobre as iniciativas envolvendo a família de Johnny Ramone, particularmente a viúva Linda. Para o baterista, Linda não tem a qualificação necessária para supervisionar projetos cinematográficos sobre a banda, uma vez que não estava presente na formação original nem nos primeiros anos cruciais da carreira do grupo.

"Tem havido muita conversa sobre filmes, mas os membros da família, as segundas esposas e os irmãos, essas pessoas não estavam lá o tempo todo", afirmou Marky. "Não permitimos que as namoradas ou as esposas viajassem conosco em turnê, então quão preciso isso pode ser?", questionou ele, destacando a falta de envolvimento de Linda nas turnês e na formação do som dos Ramones.

A opinião de Marky reflete uma crítica mais ampla sobre a produção de filmes e documentários sobre ícones do rock. Para ele, projetos como The Runaways e CBGB, que trataram de outros marcos da cultura punk, não conseguiram capturar a essência do que foi vivido pelos músicos, o que reforça sua relutância em participar de qualquer projeto que não envolva aqueles que realmente estavam no "núcleo" da banda.

Além disso, Marky é categórico ao afirmar que não permitiria que sua imagem fosse retratada em um filme que não contasse com a participação ativa de quem vivenciou a história desde o início. Ele cita, por exemplo, o filme CBGB, que, embora abordasse a história do lendário clube de Nova York, falhou em retratar com precisão a história dos Ramones.

O Papel de Linda Ramone no Cinema e a Autobiografia de Johnny Ramone

Linda Ramone, por sua vez, tem se mostrado determinada a contar a história de sua própria perspectiva e, mais especificamente, a transformar a autobiografia de Johnny Ramone, Commando, lançada em 2012, em um filme. Em entrevista recente, ela revelou estar em negociações para adaptar a obra de seu falecido marido para o cinema, o que inclui uma tentativa de obter financiamento e apoio para que o projeto ganhe vida. No entanto, as críticas de Marky Ramone e de outros ex-integrantes da banda sugerem que o projeto enfrentará obstáculos, principalmente por conta da falta de consenso sobre quem detém a verdadeira autoridade sobre a história dos Ramones.

Apesar das críticas de Marky, Linda parece continuar sua batalha pelo legado do seu marido. No entanto, sua capacidade de influenciar o futuro da franquia dos Ramones no cinema ainda está longe de ser garantida, especialmente considerando o ceticismo de figuras-chave como o próprio Marky Ramone.

A Retorno de Marky Ramone ao Brasil

Enquanto as discussões sobre o legado dos Ramones continuam a se desenrolar, Marky Ramone segue com sua própria jornada musical. Em 2025, ele retornará ao Brasil para uma série de shows com sua banda, Marky Ramone’s Blitzkrieg. A turnê promete exaltar os clássicos dos Ramones para os fãs brasileiros, e inclui apresentações em Brasília, Belo Horizonte, São Paulo e Suzano, com uma data ainda a ser revelada. Os ingressos para o show de São Paulo, que acontece no dia 5 de abril, podem ser adquiridos nas bilheteiras da Galeria do Rock, The Metal Bar e no site Clube do Ingresso, com preços que variam entre R$ 210 (pista meia-entrada) e R$ 520 (camarote inteira).

Ao se preparar para voltar aos palcos, Marky Ramone continua a defender sua versão dos acontecimentos, mantendo-se fiel à memória dos Ramones como um dos principais pilares do punk rock, e parece disposto a manter sua imagem e história intactas, longe de distorções ou representações imprecisas em filmes.




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