quinta-feira, 6 de agosto de 2026

1996 - 2026: Há 30 Anos Os Ramones Faziam Seu Último Show

Realizada em Hollywood, a despedida da banda reuniu convidados especiais, entrou para a história do Rock e, três décadas depois, ainda desperta sentimentos contraditórios entre os fãs.

Por: Alessandro Costa

Depois de uma pequena turnê no Lollapalooza, os Ramones fizeram sua última apresentação no Palace, em Hollywood.
Créditos: Internet

Há exatos 30 anos, os Ramones subiam ao palco pela última vez. Inacreditável... 30 anos!

No dia 6 de agosto de 1996, Joey, Johnny, Marky e C.J. Ramone encerravam uma das histórias mais importantes da música com um show de 32 músicas, realizado no The Palace, em Hollywood, na Califórnia.

A despedida contou com diversas participações especiais: Eddie Vedder, do Pearl Jam, dividiu o palco com a banda em Anyway You Want It, justamente a última música tocada pelos Ramones. Lars Frederiksen e Tim Armstrong, do Rancid, participaram de 53rd & 3rd, Listen To My Heart e We're A Happy Family. Participações positivas, mas desnecessárias.

O Motorhead gravou R.A.M.O.N.E.S. no álbum 1916 de 1991.
Créditos: Internet


Um momento verdadeiramente histórico foi a entrada de Lemmy Kilmister, lendário baixista e vocalista do Motorhead, que cantou R.A.M.O.N.E.S., música composta pelo próprio Motorhead como homenagem à banda nova iorquina. Chris Cornell apresentou o segundo bis da noite ao lado de Ben Shepherd, ambos do Soundgarden, que participou de Chinese Rock. Legal, mas igualmente desnecessários.

Dee Dee Ramone se desligou da banda em julho de 1989.
Créditos: Internet.


Mas, para mim, o momento mais emocionante e divertido foi a entrada inesperada de Dee Dee Ramone. Mesmo errando de propósito todas as partes de Love Kills, ele mostrou que pouco importava a perfeição técnica naquele momento, apenas respondendo: "Esse é o meu jeito." E talvez essa frase resuma muito bem quem era Dee Dee.

Na época, Joey Ramone já enfrentava o linfoma que tiraria sua vida em abril de 2001. Mesmo assim, a banda entregou um show intenso, que acabou sendo registrado no álbum ao vivo We're Outta Here!, lançado no ano seguinte.

Mas, apesar de toda a importância histórica desse show, eu sempre tive uma sensação estranha ao assisti-lo.

Os Ramones entraram na minha vida oito anos depois dessa despedida e, sinceramente, nunca tive a sensação de que eles realmente acabaram. Pelo contrário. Trinta anos depois, continuam influenciando bandas, conquistando novos fãs e cada vez mais vivos.

Talvez por isso eu sempre ache que eles mereciam uma despedida maior.

Na minha opinião, esse último show foi tratado de forma muito simples para uma banda daquele tamanho. A apresentação aconteceu em Los Angeles, quando, para mim, faria muito mais sentido que tivesse sido em Nova York. Era uma terça-feira comum, o The Palace sequer estava completamente lotado e nem mesmo o icônico cenário das colunas gregas, utilizado durante praticamente toda a última turnê, foi levado para aquele que seria o último capítulo da banda.

Também nunca gostei da produção audiovisual desse registro.

A direção de imagens é confusa, cheia de enquadramentos estranhos, closes aleatórios nos pés dos músicos, no público e até no rosto do Joey. A captação de áudio também está muito abaixo do que um momento histórico como esse merecia.

O último show dos Ramones foi lançado em novembro de 1997 no box com CD e VHS intitulado We're Outta Here!
Créditos: Internet

E o que mais me incomoda é pensar que, passados 30 anos, esse show nunca recebeu um lançamento em alta definição, com imagem reeditada e restaurada, e áudio remasterizado. Tudo o que existe até hoje deriva do VHS lançado em novembro de 1997.

Os Ramones mudaram a história do Rock e da minha vida. Influenciaram milhares de bandas, atravessaram gerações e continuam conquistando novos admiradores até hoje.

Por isso, acredito que sua despedida merecia um cuidado muito maior.

Ainda assim, independentemente das falhas da gravação ou da produção, aquele 6 de agosto de 1996 continua sendo um dos dias mais importantes da história do Rock.

Mas definitivamente não foi o fim do legado dos Ramones.

HEY HO LET'S GO!

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Set list - The Palace, Hollywood (06/08/1996)

• Durango 95
• Teenage Lobotomy
• Psycho Therapy
• Blitzkrieg Bop
• Do You Remember Rock 'N' Roll Radio?
• I Believe In Miracles
• Gimme Gimme Shock Treatment
• Rock 'N' Roll High School
• I Wanna Be Sedated
• Spider-Man
• The K.K.K. Took My Baby Away
• I Just Want To Have Something To Do
• Commando
• Sheena Is A Punk Rocker
• Rockaway Beach
• Pet Sematary
• The Crusher
• Love Kills (com Dee Dee Ramone)
• Do You Wanna Dance?
• Somebody Put Something In My Drink
• I Don't Want You
• Wart Hog
• Cretin Hop
• R.A.M.O.N.E.S. (com Lemmy Kilmister)
• Today Your Love, Tomorrow The World
• Pinhead
• 53rd & 3rd (com Lars Frederiksen e Tim Armstrong)
• Listen To My Heart (com Lars Frederiksen e Tim Armstrong)
• We're A Happy Family (com Lars Frederiksen e Tim Armstrong)
• Chinese Rock (com Ben Shepherd)
• Beat On The Brat
• Any Way You Want It (com Eddie Vedder)

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Catalau E O Último Golpe emociona público com primeiro show em São Paulo

Projeto reúne clássicos do Golpe de Estado, apresenta música inédita e confirma disco de estúdio para 2026

Por: Alessandro Costa


Catalau e Marcello Schevanno se mostram uma dupla e tanto.
Créditos: Alessandro Costa

Depois da estreia oficial no Santo Rock Bar, em Santo André, no dia 29 de maio, e da apresentação no Motor Rock Festival, em Cordeirópolis (SP), no dia 11 de julho, Catalau E O Último Golpe realizou, na última sexta-feira (31), seu primeiro show na cidade de São Paulo. A apresentação aconteceu no Sesc 14 Bis, que recebeu excelente público, e confirmou que o projeto já nasce com identidade própria, preservando o legado do Golpe de Estado e, ao mesmo tempo, apontando para novos caminhos.

Mais do que um show nostálgico, a noite mostrou uma banda extremamente entrosada, tecnicamente impecável e, principalmente, muito viva. O público respondeu desde os primeiros acordes de Onde Há Fumaça, Há Fogo, cantando praticamente todas as músicas e transformando a estreia paulistana em um encontro emocionante entre músicos e fãs.

Uma banda que honra o passado olhando para o futuro

A banda inteira possui uma energia sem fim.
Créditos: Alessandro Costa

Catalau E O Último Golpe reúne Catalau, vocalista que marcou a fase clássica do Golpe de Estado entre 1985 e 1996, ao lado do guitarrista Marcello Schevano e do baterista Roby Pontes, ambos integrantes da última formação do Golpe de Estado, além de Soneca, no contrabaixo, e Rafael Stanguini, nos teclados.

Cada integrante conhece profundamente esse repertório. Roby Pontes integra a história do Golpe desde 2011 e participou dos últimos discos e turnês da banda. Marcello Schevano assumiu a guitarra em 2016, após a morte de Hélcio Aguirra, ajudando a escrever o capítulo final da trajetória do grupo ao lado de Nelson Brito. Já Catalau, voz responsável pelos principais clássicos da banda, retorna agora para conduzir esse novo projeto, preservando a essência do Golpe de Estado sem abrir mão da criação de material inédito.

Emoção do começo ao fim

Foi uma noite emocionante para todos os presentes.
Créditos: Alessandro Costa

Logo nas primeiras músicas ficou evidente que a química entre os músicos é um dos grandes trunfos da banda. Catalau cantou em excelente forma durante toda a apresentação, alternando momentos de descontração, fazendo piadas com o público, com outros de forte emoção, como aconteceu depois de Caso Sério, em que o vocalista foi às lágrimas.

Em diversos momentos, o vocalista fez questão de agradecer o carinho recebido pelo público paulistano e não escondeu a felicidade por finalmente apresentar o projeto na capital.

Ao seu lado, Roby Pontes mostrou mais uma vez por que é um dos grandes bateristas do Rock Nacional, sustentando o show com precisão, peso e dinâmica. Marcello Schevano impressionou pela segurança nos riffs e solos, respeitando o legado construído por Hélcio Aguirra, e ainda imprimindo sua própria personalidade às músicas. Soneca, por sua vez, garantiu uma base sólida durante toda a apresentação.

Rafael Stanguini também teve papel importante durante todo o espetáculo. Seus teclados enriqueceram os arranjos, ampliaram a sonoridade da banda e reforçaram a potência das músicas ao vivo, contribuindo para uma apresentação ainda mais encorpada e equilibrada.

O resultado foi uma banda extremamente coesa, que soa muito maior do que um simples projeto de continuidade.

Clássicos, surpresas e música inédita

Repertório mostrou relevância e atualidade.
Créditos: Alessandro Costa

O repertório passeou por diferentes fases da carreira de Catalau e da história do Golpe de Estado.

Clássicos como Olhos de Guerra, Caso Sério, Paixão, Não É Hora, Velha Mistura, Dias de Glória, Real Valor, Forçando a Barra, Terra de Ninguém, Noite de Balada e Nem Polícia Nem Bandido foram recebidos com entusiasmo imediato pelo público.

Também houve espaço para Página 12, faixa presente no primeiro álbum solo de Catalau, lançado em 1997, e para Casa de Rock, clássico do Casa das Máquinas gravado originalmente em 1976, composto por Catalau ao lado da banda.

Outro dos grandes momentos da noite aconteceu com a execução de Só (Tô Mal Acompanhado), primeira música inédita apresentada pelo novo projeto. Muito bem recebida pelo público, a canção mostrou que Catalau E O Último Golpe pretende olhar para frente sem depender apenas da força de seu passado.

Disco novo já está em andamento

Além de guitarrista, Marcello Schevano produziu o último disco do Golpe de Estado.
Créditos: Alessandro Costa

Após o show, Marcello Schevano revelou, com exclusividade ao Discos Importantes, que a banda já trabalha na produção do primeiro álbum de estúdio e que o lançamento está previsto para acontecer ainda em 2026.

Catalau confirmou a informação e contou que o grupo vive um período de intensa criatividade.

Segundo o vocalista, seis músicas inéditas já estão prontas, resultado de um momento de grande produtividade vivido pela banda.

Durante a conversa, Catalau também falou sobre sua relação com a discografia do Golpe de Estado. Entre todos os trabalhos lançados pelo grupo, destacou Nem Polícia Nem Bandido de 1989, que considera um disco extremamente orgânico e que registrou a banda em um excelente momento artístico. O cantor também citou Quarto Golpe de 1991 como outro de seus trabalhos favoritos.

As declarações reforçam que o novo projeto não pretende apenas preservar uma história importante do Rock Brasileiro, mas também escrever novos capítulos.

Uma estreia que deixa grandes expectativas

Em excelente forma, Catalau E O Último Golpe fechou a noite com chave de ouro.
Créditos: Alessandro Costa

O primeiro show de Catalau E O Último Golpe em São Paulo deixou claro que o projeto nasceu sólido.

A banda demonstra respeito absoluto pela história construída ao longo de décadas, mas evita transformar o repertório em um exercício de nostalgia. Ao contrário, a presença de músicas inéditas e a confirmação de um novo disco mostram que existe um caminho criativo sendo construído.

Ao final da apresentação, ficou evidente que o público saiu do Sesc 14 Bis com a sensação de ter assistido ao começo de uma nova fase. Se depender da resposta calorosa da plateia, da qualidade dos músicos e da criatividade demonstrada até aqui, Catalau E O Último Golpe tem todos os elementos para construir uma trajetória própria sem jamais perder de vista o legado que lhe deu origem.


Set list — Sesc 14 Bis (31/07/2026)

• Onde Há Fumaça, Há Fogo
• Não É Hora
• Velha Mistura
• Dias de Glória
• Terra de Ninguém
• Página 12
• Filho de Deus
• Olhos de Guerra
• Só (Tô Mal Acompanhado)
• Ignoro
• Paixão
• Real Valor
• Caso Sério
• Casa de Rock
• Noite de Balada
• Nem Polícia, Nem Bandido • Forçando A Barra




1996 - 2026: Há 30 Anos Os Ramones Faziam Seu Último Show

Realizada em Hollywood, a despedida da banda reuniu convidados especiais, entrou para a história do Rock e, três décadas depois, ainda despe...