terça-feira, 4 de agosto de 2026

Catalau E O Último Golpe emociona público com primeiro show em São Paulo

Projeto reúne clássicos do Golpe de Estado, apresenta música inédita e confirma disco de estúdio para 2026

Por: Alessandro Costa


Catalau e Marcello Schevanno se mostram uma dupla e tanto.
Créditos: Alessandro Costa

Depois da estreia oficial no Santo Rock Bar, em Santo André, no dia 29 de maio, e da apresentação no Motor Rock Festival, em Cordeirópolis (SP), no dia 11 de julho, Catalau E O Último Golpe realizou, na última sexta-feira (31), seu primeiro show na cidade de São Paulo. A apresentação aconteceu no Sesc 14 Bis, que recebeu excelente público, e confirmou que o projeto já nasce com identidade própria, preservando o legado do Golpe de Estado e, ao mesmo tempo, apontando para novos caminhos.

Mais do que um show nostálgico, a noite mostrou uma banda extremamente entrosada, tecnicamente impecável e, principalmente, muito viva. O público respondeu desde os primeiros acordes de Onde Há Fumaça, Há Fogo, cantando praticamente todas as músicas e transformando a estreia paulistana em um encontro emocionante entre músicos e fãs.

Uma banda que honra o passado olhando para o futuro

A banda inteira possui uma energia sem fim.
Créditos: Alessandro Costa

Catalau E O Último Golpe reúne Catalau, vocalista que marcou a fase clássica do Golpe de Estado entre 1985 e 1996, ao lado do guitarrista Marcello Schevano e do baterista Roby Pontes, ambos integrantes da última formação do Golpe de Estado, além de Soneca, no contrabaixo, e Rafael Stanguini, nos teclados.

Cada integrante conhece profundamente esse repertório. Roby Pontes integra a história do Golpe desde 2011 e participou dos últimos discos e turnês da banda. Marcello Schevano assumiu a guitarra em 2016, após a morte de Hélcio Aguirra, ajudando a escrever o capítulo final da trajetória do grupo ao lado de Nelson Brito. Já Catalau, voz responsável pelos principais clássicos da banda, retorna agora para conduzir esse novo projeto, preservando a essência do Golpe de Estado sem abrir mão da criação de material inédito.

Emoção do começo ao fim

Foi uma noite emocionante para todos os presentes.
Créditos: Alessandro Costa

Logo nas primeiras músicas ficou evidente que a química entre os músicos é um dos grandes trunfos da banda. Catalau cantou em excelente forma durante toda a apresentação, alternando momentos de descontração, fazendo piadas com o público, com outros de forte emoção, como aconteceu depois de Caso Sério, em que o vocalista foi às lágrimas.

Em diversos momentos, o vocalista fez questão de agradecer o carinho recebido pelo público paulistano e não escondeu a felicidade por finalmente apresentar o projeto na capital.

Ao seu lado, Roby Pontes mostrou mais uma vez por que é um dos grandes bateristas do Rock Nacional, sustentando o show com precisão, peso e dinâmica. Marcello Schevano impressionou pela segurança nos riffs e solos, respeitando o legado construído por Hélcio Aguirra, e ainda imprimindo sua própria personalidade às músicas. Soneca, por sua vez, garantiu uma base sólida durante toda a apresentação.

Rafael Stanguini também teve papel importante durante todo o espetáculo. Seus teclados enriqueceram os arranjos, ampliaram a sonoridade da banda e reforçaram a potência das músicas ao vivo, contribuindo para uma apresentação ainda mais encorpada e equilibrada.

O resultado foi uma banda extremamente coesa, que soa muito maior do que um simples projeto de continuidade.

Clássicos, surpresas e música inédita

Repertório mostrou relevância e atualidade.
Créditos: Alessandro Costa

O repertório passeou por diferentes fases da carreira de Catalau e da história do Golpe de Estado.

Clássicos como Olhos de Guerra, Caso Sério, Paixão, Não É Hora, Velha Mistura, Dias de Glória, Real Valor, Forçando a Barra, Terra de Ninguém, Noite de Balada e Nem Polícia Nem Bandido foram recebidos com entusiasmo imediato pelo público.

Também houve espaço para Página 12, faixa presente no primeiro álbum solo de Catalau, lançado em 1997, e para Casa de Rock, clássico do Casa das Máquinas gravado originalmente em 1976, composto por Catalau ao lado da banda.

Outro dos grandes momentos da noite aconteceu com a execução de Só (Tô Mal Acompanhado), primeira música inédita apresentada pelo novo projeto. Muito bem recebida pelo público, a canção mostrou que Catalau E O Último Golpe pretende olhar para frente sem depender apenas da força de seu passado.

Disco novo já está em andamento

Além de guitarrista, Marcello Schevano produziu o último disco do Golpe de Estado.
Créditos: Alessandro Costa

Após o show, Marcello Schevano revelou, com exclusividade ao Discos Importantes, que a banda já trabalha na produção do primeiro álbum de estúdio e que o lançamento está previsto para acontecer ainda em 2026.

Catalau confirmou a informação e contou que o grupo vive um período de intensa criatividade.

Segundo o vocalista, seis músicas inéditas já estão prontas, resultado de um momento de grande produtividade vivido pela banda.

Durante a conversa, Catalau também falou sobre sua relação com a discografia do Golpe de Estado. Entre todos os trabalhos lançados pelo grupo, destacou Nem Polícia Nem Bandido de 1989, que considera um disco extremamente orgânico e que registrou a banda em um excelente momento artístico. O cantor também citou Quarto Golpe de 1991 como outro de seus trabalhos favoritos.

As declarações reforçam que o novo projeto não pretende apenas preservar uma história importante do Rock Brasileiro, mas também escrever novos capítulos.

Uma estreia que deixa grandes expectativas

Em excelente forma, Catalau E O Último Golpe fechou a noite com chave de ouro.
Créditos: Alessandro Costa

O primeiro show de Catalau E O Último Golpe em São Paulo deixou claro que o projeto nasceu sólido.

A banda demonstra respeito absoluto pela história construída ao longo de décadas, mas evita transformar o repertório em um exercício de nostalgia. Ao contrário, a presença de músicas inéditas e a confirmação de um novo disco mostram que existe um caminho criativo sendo construído.

Ao final da apresentação, ficou evidente que o público saiu do Sesc 14 Bis com a sensação de ter assistido ao começo de uma nova fase. Se depender da resposta calorosa da plateia, da qualidade dos músicos e da criatividade demonstrada até aqui, Catalau E O Último Golpe tem todos os elementos para construir uma trajetória própria sem jamais perder de vista o legado que lhe deu origem.


Set list — Sesc 14 Bis (31/07/2026)

• Onde Há Fumaça, Há Fogo
• Não É Hora
• Velha Mistura
• Dias de Glória
• Terra de Ninguém
• Página 12
• Filho de Deus
• Olhos de Guerra
• Só (Tô Mal Acompanhado)
• Ignoro
• Paixão
• Real Valor
• Caso Sério
• Casa de Rock
• Noite de Balada
• Nem Polícia, Nem Bandido • Forçando A Barra




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