O novo EP do U2, Days of Ash, lançado de surpresa em 18 de fevereiro de 2026, chega carregado de intenção e discurso, mas, no fim das contas, não entrega o impacto que tanto promete.
Por: Alessandro Costa
Longe de ser uma porcaria, Days of Ash também não é aquele retorno arrebatador que parte do público poderia esperar depois de nove anos desde o disco Songs of Experience. Aqui, o quarteto opta por um formato enxuto: seis faixas, cerca de 23 minutos, cinco músicas inéditas e uma poesia musicada. A ideia é forte, mas a execução nem tanto.
Bono explicou o espírito do lançamento ao dizer: “Essas faixas do EP não podiam esperar; essas músicas estavam impacientes para estar no mundo. São canções de desafio e desalento, de lamentação”. Ou seja, canções que nasceram com senso de urgência. E isso transparece, pois o EP gira em torno de tragédias contemporâneas e conflitos do mundo todo, retomando a veia política que marcou momentos importantes da trajetória da banda.
O problema é que mesmo com temas tão densos, poucas passagens realmente ficam na memória do ouvinte. Há sinceridade e indignação nas letras, mas as melodias raramente acompanham esse compasso. Em vários momentos, o EP soa mais discursivo do que musical, como se a mensagem tivesse vindo antes da canção, e não o contrário.
A recepção foi mista, porque alguns elogiaram o retorno à postura combativa e destacaram a urgência presente nas composições, especialmente em The Tears of Things, descrita como “melodicamente e estruturalmente bastante impressionante”. Outros observaram que o conjunto parece mais interessante como conceito do que como experiência sonora.
• The Tear of the Things - É uma faixa que funciona bem, começa mais arrastada e o vocal de Bono vai crescendo no meio dos violões de The Edge e a brilhante bateria de Larry Mullen Jr. Nota 8.
• Song of the Future - É inspirada por histórias trágicas ligadas ao Irã e à Palestina. Tem uma introdução bem semelhante à diversas músicas criadas pela banda neste século: violão unido à um riff de guitarra cheio de efeitos. Não chega a animar tanto quanto deveria, apesar de ter um bom refrão. Nota 7.
• Wildpace - Consiste em um poema de Yehuda Amichai transformado em peça atmosférica. Funciona basicamente como uma vinheta de 1 minuto e 18 segundos.
• One Life At a Time - Faixa cheia de atmosfera e clima, bem característica do U2. Soa um pouco contida. Durante sua audição, a sensação é de que a música poderia ir para outros caminhos. Pelo menos, o solo de guitarra do The Edge é bem legal. Nota 6.
• Yours Eternally - É uma parceria com Ed Sheeran e Taras Topolia, que tenta oferecer o momento mais acessível do trabalho, mas se mostra uma grande bobagem. Nota 4.
No fim, Days of Ash funciona quase como um registro emocional de um tempo conturbado. A intenção é legítima, o posicionamento é claro, mas a música raramente alcança o nível de grandeza que o próprio U2 já demonstrou ser capaz de atingir em tantos momentos gloriosos.
Não é um fracasso, como também também passa longe de ser um trabalho essencial.

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