Último disco da banda fecha a carreira de forma coerente, respeitando o legado construído ao longo de mais de quatro décadas.
Por: Alessandro Costa
Fonte: Spotify.
Formado em Los Angeles, em 1983, por Dave Mustaine, o Megadeth se consolidou como uma das “quatro grandes” do thrash metal mundial ao lado de Metallica, Slayer e Anthrax, ajudando a desenvolver e popularizar o gênero. A banda construiu sua identidade com guitarras tecnicamente complexas, arranjos intrincados, bases rítmicas bem aceleradas, solos em dupla e letras que falam sobre guerra, política, religião, morte e conflitos pessoais.
A estreia veio em 1985, com Killing Is My Business... And Business Is Good!, lançado pela Combat Records, abrindo caminho para o contrato com a Capitol e o impacto de Peace Sells... but Who’s Buying? de 1986 na cena underground. Mesmo atravessando o fim dos anos 80 sob publicidade negativa causada por disputas internas e abuso de substâncias, o Megadeth entrou nos anos 90 em fase de reconhecimento amplo, com álbuns que se tornaram referência e alcançaram platina, como So Far, So Good... So What! de 1988, o clássico Rust in Peace de 1990, Countdown to Extinction de 1992 e Youthanasia de 1994, impulsionados por turnês mundiais.
Ao longo de mais de 40 anos, a banda passou por mudanças constantes de formação, tendo Mustaine como único membro permanente. O grupo se separou temporariamente em 2002 após uma lesão no braço do líder e retornou em 2004 sem o baixista David Ellefson, que voltaria em 2010 e deixaria a banda novamente em 2021.
A trajetória do grupo também acumulou marcas importante: certificações de platina nos Estados Unidos, doze indicações ao Grammy e a vitória em 2017 com “Dystopia”, além da presença recorrente do mascote Vic Rattlehead nas capas, da criação do festival Gigantour e da realização do MegaCruise. Até 2023, o Megadeth havia ultrapassado a marca de 50 milhões de discos vendidos no mundo. Em 2025, Mustaine anunciou que o próximo álbum seria o último e que a banda se encerraria após a turnê de despedida.
Megadeth o disco final
Esse ponto final chega com Megadeth, 17º e último álbum de estúdio do grupo, lançado em 23 de janeiro de 2026. Produzido por Mustaine ao lado de Chris Rakestraw, o disco reúne a formação atual com James LoMenzo no baixo, Teemu Mäntysaari na guitarra e Dirk Verbeuren na bateria. O trabalho marca a única participação de Mäntysaari em um álbum de estúdio do Megadeth e o retorno de LoMenzo às gravações desde Endgame de 2009.
Anunciado em agosto de 2025 como parte do encerramento oficial da banda, o álbum teve campanha construída por singles lançados em etapas: Tipping Point, I Don’t Care, Let There Be Shred e Puppet Parade. A capa revela Vic Rattlehead em chamas, retomando o ícone visual que acompanha a história do grupo. O processo de produção atravessou o fim de 2024 e 2025, com composições iniciadas remotamente e gravações concluídas nos meses seguintes.
Com dez faixas principais e duas bônus, incluindo um cover, que gerou discussão, de Ride The Lightning, do Metallica, e uma faixa exclusiva. Megadeth recebeu críticas mistas e positivas, e alcançou um feito inédito ao estrear no primeiro lugar da Billboard 200. O último álbum não reescreve a história do Megadeth, mas estabelece um encerramento que sintetiza técnica, longevidade e o peso simbólico de uma das bandas centrais do thrash metal.
Faixa a faixa
• Tipping Point - Abre o disco com maestria e qualidade. Foi o primeiro single desse último trabalho e mostra-se a escolha certa, é uma música poderosa, um petardo ao melhor estilo do Megadeth. Destaque para o riff inicial que conduz a faixa até explodir no velho, fedorento e maravilhoso Trash Metal que só Dave Mustaine sabe criar. (nota DEZ).
• I Don’t Care - Segue mantendo a energia poderosa do álbum. É um recado bem claro aos detratores do Megadeth, mostrando que Mustaine não está nem um pouco preocupado com as opiniões desnecessárias alheias. Pesada e bem consistente, é uma daquelas faixas que promete ser um dos melhores momentos ao vivo na turnê de despedida. Destaque para os solos em dupla de Musta e Teemu. (nota 9).
• Hey God?! - Ressalta a fé cristã de Mustaine. Ao mesmo tempo parece não andar muito bem, embora tenha um clima melancólico e questionador, o andamento da música não está bem sintonizado com a melodia vocal que é um pouco mais arrastada. Soa mais como um filler. (nota 6).
• Let There Be Shred - Retoma ao clássico, velho, fedorento e maravilhoso Trash Metal. Um dos pontos mais altos desse disco. Pesada e rápida, nos lembra que ainda há coisas bem interessantes vindo ao longo da audição. É uma faixa brilhante e que merece ser executada ao vivo. O solo veloz e inquieto de Teemu é um dos momentos mais bacanas dessa faixa. (nota DEZ).
• Puppet Parade - Começa com um riff muito interessante e curioso. É um trash/heavy comum e bem tradicional do Megadeth. É um bom momento, embora soe meio longa e não seja de extraordinário. (nota 8).
• Another Bad Day - Outra faixa que não fede e nem cheira. Mesmo sendo boa e agradável de se ouvir, parece mais que foi escrita para preencher algum espaço na rotação do álbum. Por outro lado, a bateria sólida e criativa de Dirk Verbeuren merece um grande reconhecimento, é o que faz a música valer a pena. (nota 7).
• Made To Kill - Já começa com um pequeno solo de Dirk, que logo é acompanhado pelas guitarras e o baixo, se tornando um Heavy Metal de alta qualidade e depois ainda sofre uma mudança genial de tempo e entramos em um Trash Metal incrível e rápido. É um dos melhores momentos desse álbum, e pode ser que soe muito bem nos palcos devido à toda essa dinâmica dos tempos que ocorrem durante seus 4 minutos de duração. (nota DEZ).
• Obey The Call - De começo parece não entrar muito. Seu início choroso se torna um Heavy Metal de guitarras poderosas e um Dave Mustaine furioso e debochado nos vocais. Não é também uma das melhores músicas do álbum, mas a sua parte final vale a pena. (nota 7,5).
• I Am War - Traz um dos temas mais comuns das letras do Megadeth, desde os primórdios até hoje em dia: guerras e conflitos sociais. É uma faixa comum que só pela sua letra já vale a pena e se torna um momento memorável na reta final do Megadeth. (nota 9).
• The Last Note - A carta final ao público do Megadeth. Começa com um Dave Mustaine cansado proclamando os primeiros versos, mas depois se torna um valioso Heavy Metal. É uma faixa digna para fechar o último trabalho da banda, uma vez que, além de ser uma grande música, ressalta o respeito que Musta tem com o seu público fiel que o acompanha durante todos esses anos. O único ponto negativo nessa canção é o solo de violão que parece perdido no meio da força das guitarras. Acaba da mesma forma que começou: com um Dave Mustaine narrando os versos finais. (nota 9).
• Ride The Lightning (bonus track) - E o mais improvável aconteceu: Dave Mustaine resgatou uma faixa dos seus tempos de Metallica. Ride The Lightning foi gravada pelo Metallica em 1984 e deu nome ao segundo disco da banda. Por ser um dos autores da música, Dave tem o direito de regravá-la à seu modo, de modo que muitos fãs do Megadeth defendem que a música é sua por direito. Aqui temos uma versão menos crua que a versão original do Metallica, talvez a tecnologia tenha total relação com isso. Não penso que tenha sido uma boa ideia deixá-la para o final, poderia ter sido um lado B de algum single. (nota 9).
Conclusão
Embora tenha alguns momentos de desequilíbrio, esse último disco do Megadeth é uma celebração de um legado de mais de 40 anos! Encerra com total dignidade a discografia de uma das bandas mais importantes do Trash e Heavy Metal. Vale lembrar que em 2 de maio de 2026, a turnê de despedida da banda passa pelo Brasil, em São Paulo, no Espaço Unimed.
Nota geral do álbum: 8.
Discografia de estúdio:
• Killing Is My Business… and Business Is Good! (1985)
• Peace Sells… but Who’s Buying? (1986)
• So Far, So Good… So What! (1988)
• Rust in Peace (1990)
• Countdown to Extinction (1992)
• Youthanasia (1994)
• Cryptic Writings (1997)
• Risk (1999)
• The World Needs a Hero (2001)
• The System Has Failed (2004)
• United Abominations (2007)
• Endgame (2009)
• Th1rt3en (2011)
• Super Collider (2013)
• Dystopia (2016)
• The Sick, the Dying... and the Dead! (2022)
Discografia ao vivo:
• Rude Awakening (2002)
• That One Night: Live in Buenos Aires (2007)
• Rust in Peace Live (2010)
• The Big Four: Live from Sofia, Bulgaria (2010)
• Countdown to Extinction: Live (2013)
• Unplugged in Boston (2021)

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