quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Megadeth se despede com um álbum à altura de sua história

 Último disco da banda fecha a carreira de forma coerente, respeitando o legado construído ao longo de mais de quatro décadas.


Por: Alessandro Costa

O disco final do Megadeth marca um capítulo essencial na história do Trash Metal.
Fonte: Spotify.

Formado em Los Angeles, em 1983, por Dave Mustaine, o Megadeth se consolidou como uma das “quatro grandes” do thrash metal mundial ao lado de Metallica, Slayer e Anthrax, ajudando a desenvolver e popularizar o gênero. A banda construiu sua identidade com guitarras tecnicamente complexas, arranjos intrincados, bases rítmicas bem aceleradas, solos em dupla e letras que falam sobre guerra, política, religião, morte e conflitos pessoais.

A estreia veio em 1985, com Killing Is My Business... And Business Is Good!, lançado pela Combat Records, abrindo caminho para o contrato com a Capitol e o impacto de Peace Sells... but Who’s Buying? de 1986 na cena underground. Mesmo atravessando o fim dos anos 80 sob publicidade negativa causada por disputas internas e abuso de substâncias, o Megadeth entrou nos anos 90 em fase de reconhecimento amplo, com álbuns que se tornaram referência e alcançaram platina, como So Far, So Good... So What! de 1988, o clássico Rust in Peace de 1990, Countdown to Extinction de 1992 e Youthanasia de 1994, impulsionados por turnês mundiais.

Ao longo de mais de 40 anos, a banda passou por mudanças constantes de formação, tendo Mustaine como único membro permanente. O grupo se separou temporariamente em 2002 após uma lesão no braço do líder e retornou em 2004 sem o baixista David Ellefson, que voltaria em 2010 e deixaria a banda novamente em 2021.

A trajetória do grupo também acumulou marcas importante: certificações de platina nos Estados Unidos, doze indicações ao Grammy e a vitória em 2017 com “Dystopia”, além da presença recorrente do mascote Vic Rattlehead nas capas, da criação do festival Gigantour e da realização do MegaCruise. Até 2023, o Megadeth havia ultrapassado a marca de 50 milhões de discos vendidos no mundo. Em 2025, Mustaine anunciou que o próximo álbum seria o último e que a banda se encerraria após a turnê de despedida.

Megadeth o disco final

Esse ponto final chega com Megadeth, 17º e último álbum de estúdio do grupo, lançado em 23 de janeiro de 2026. Produzido por Mustaine ao lado de Chris Rakestraw, o disco reúne a formação atual com James LoMenzo no baixo, Teemu Mäntysaari na guitarra e Dirk Verbeuren na bateria. O trabalho marca a única participação de Mäntysaari em um álbum de estúdio do Megadeth e o retorno de LoMenzo às gravações desde Endgame de 2009.

Anunciado em agosto de 2025 como parte do encerramento oficial da banda, o álbum teve campanha construída por singles lançados em etapas: Tipping Point, I Don’t Care, Let There Be Shred e Puppet Parade. A capa revela Vic Rattlehead em chamas, retomando o ícone visual que acompanha a história do grupo. O processo de produção atravessou o fim de 2024 e 2025, com composições iniciadas remotamente e gravações concluídas nos meses seguintes.

Com dez faixas principais e duas bônus, incluindo um cover, que gerou discussão, de Ride The Lightning, do Metallica, e uma faixa exclusiva. Megadeth recebeu críticas mistas e positivas, e alcançou um feito inédito ao estrear no primeiro lugar da Billboard 200. O último álbum não reescreve a história do Megadeth, mas estabelece um encerramento que sintetiza técnica, longevidade e o peso simbólico de uma das bandas centrais do thrash metal.

Faixa a faixa

Tipping Point - Abre o disco com maestria e qualidade. Foi o primeiro single desse último trabalho e mostra-se a escolha certa, é uma música poderosa, um petardo ao melhor estilo do Megadeth. Destaque para o riff inicial que conduz a faixa até explodir no velho, fedorento e maravilhoso Trash Metal que só Dave Mustaine sabe criar. (nota DEZ).

I Don’t Care - Segue mantendo a energia poderosa do álbum. É um recado bem claro aos detratores do Megadeth, mostrando que Mustaine não está nem um pouco preocupado com as opiniões desnecessárias alheias. Pesada e bem consistente, é uma daquelas faixas que promete ser um dos melhores momentos ao vivo na turnê de despedida. Destaque para os solos em dupla de Musta e Teemu. (nota 9).

Hey God?! - Ressalta a fé cristã de Mustaine. Ao mesmo tempo parece não andar muito bem, embora tenha um clima melancólico e questionador, o andamento da música não está bem sintonizado com a melodia vocal que é um pouco mais arrastada. Soa mais como um filler. (nota 6).

Let There Be Shred - Retoma ao clássico, velho, fedorento e maravilhoso Trash Metal. Um dos pontos mais altos desse disco. Pesada e rápida, nos lembra que ainda há coisas bem interessantes vindo ao longo da audição. É uma faixa brilhante e que merece ser executada ao vivo. O solo veloz e inquieto de Teemu é um dos momentos mais bacanas dessa faixa. (nota DEZ).

Puppet Parade - Começa com um riff muito interessante e curioso. É um trash/heavy comum e bem tradicional do Megadeth. É um bom momento, embora soe meio longa e não seja de extraordinário. (nota 8).

Another Bad Day - Outra faixa que não fede e nem cheira. Mesmo sendo boa e agradável de se ouvir, parece mais que foi escrita para preencher algum espaço na rotação do álbum. Por outro lado, a bateria sólida e criativa de Dirk Verbeuren merece um grande reconhecimento, é o que faz a música valer a pena. (nota 7).

Made To Kill - Já começa com um pequeno solo de Dirk, que logo é acompanhado pelas guitarras e o baixo, se tornando um Heavy Metal de alta qualidade e depois ainda sofre uma mudança genial de tempo e entramos em um Trash Metal incrível e rápido. É um dos melhores momentos desse álbum, e pode ser que soe muito bem nos palcos devido à toda essa dinâmica dos tempos que ocorrem durante seus 4 minutos de duração. (nota DEZ).

• Obey The Call - De começo parece não entrar muito. Seu início choroso se torna um Heavy Metal de guitarras poderosas e um Dave Mustaine furioso e debochado nos vocais. Não é também uma das melhores músicas do álbum, mas a sua parte final vale a pena. (nota 7,5).


• I Am War - Traz um dos temas mais comuns das letras do Megadeth, desde os primórdios até hoje em dia: guerras e conflitos sociais. É uma faixa comum que só pela sua letra já vale a pena e se torna um momento memorável na reta final do Megadeth. (nota 9).


The Last Note - A carta final ao público do Megadeth. Começa com um Dave Mustaine cansado proclamando os primeiros versos, mas depois se torna um valioso Heavy Metal. É uma faixa digna para fechar o último trabalho da banda, uma vez que, além de ser uma grande música, ressalta o respeito que Musta tem com o seu público fiel que o acompanha durante todos esses anos. O único ponto negativo nessa canção é o solo de violão que parece perdido no meio da força das guitarras. Acaba da mesma forma que começou: com um Dave Mustaine narrando os versos finais. (nota 9).

Ride The Lightning (bonus track) - E o mais improvável aconteceu: Dave Mustaine resgatou uma faixa dos seus tempos de Metallica. Ride The Lightning foi gravada pelo Metallica em 1984 e deu nome ao segundo disco da banda. Por ser um dos autores da música, Dave tem o direito de regravá-la à seu modo, de modo que muitos fãs do Megadeth defendem que a música é sua por direito. Aqui temos uma versão menos crua que a versão original do Metallica, talvez a tecnologia tenha total relação com isso. Não penso que tenha sido uma boa ideia deixá-la para o final, poderia ter sido um lado B de algum single. (nota 9).


Conclusão


Embora tenha alguns momentos de desequilíbrio, esse último disco do Megadeth é uma celebração de um legado de mais de 40 anos! Encerra com total dignidade a discografia de uma das bandas mais importantes do Trash e Heavy Metal. Vale lembrar que em 2 de maio de 2026, a turnê de despedida da banda passa pelo Brasil, em São Paulo, no Espaço Unimed.

Nota geral do álbum: 8.


Discografia de estúdio:

Killing Is My Business… and Business Is Good! (1985)
Peace Sells… but Who’s Buying? (1986)
So Far, So Good… So What! (1988)
Rust in Peace (1990)
Countdown to Extinction (1992)
Youthanasia (1994)
Cryptic Writings (1997)
Risk (1999)
The World Needs a Hero (2001)
The System Has Failed (2004)
United Abominations (2007)
Endgame (2009)
Th1rt3en (2011)
Super Collider (2013)
Dystopia (2016)
The Sick, the Dying... and the Dead! (2022)

Discografia ao vivo:

Rude Awakening (2002)
That One Night: Live in Buenos Aires (2007)
Rust in Peace Live (2010)
The Big Four: Live from Sofia, Bulgaria (2010)
Countdown to Extinction: Live (2013)
Unplugged in Boston (2021)


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