quarta-feira, 12 de março de 2025

Franz Ferdinand: “The Human Fear”, O Primeiro Grande Disco De 2025

Com mais de 20 anos de carreira, o Franz Ferdinand segue firme e forte, renovando o Indie Rock.

Por: Alessandro Costa



Com 11 faixas, “The Human Fear” é um verdadeiro presente para os velhos e novos admiradores do Franz Ferdinand.
Fonte: Spotify


O Franz Ferdinand é uma banda escocesa formada em Glasgow, ano de 2002. Seu nome é uma referência ao arquiduque Franz Ferdinand, cuja morte em 1914 desencadeou a Primeira Guerra Mundial.
O grupo foi fundado pelo vocalista e guitarrista Alex Kapranos, o baixista Bob Hardy, o guitarrista e tecladista Nick McCarthy, e o baterista Paul Thomson.
Com diversas referências, o som da banda mistura Post Punk, Indie Rock e Dance Rock, com influências de bandas como Talking Heads, The Clash e David Bowie. O estilo contagiante e dançante os levou ao sucesso internacional rapidamente logo com o lançamento do primeiro disco em 2004, que inclui hits como "Take Me Out", "The Dark Of The Matinée" e "Michael". O álbum recebeu vários prêmios e consolidou o Franz Ferdinand como uma das bandas mais importantes do Rock do início dos anos 2000.
Em 2005 foi a vez de “You Could Have It So Much Better” dar continuidade a popularidade da banda. O som é um pouco mais polido e acessível, mas ainda mantendo a energia de seu antecessor. Entre os destaques estão as faixas "Do You Want To", "The Fallen" e "Walk Away". O álbum também recebeu críticas positivas, embora não tivesse o mesmo impacto avassalador do primeiro.
O terceiro disco só seria lançado em 2009. “Tonight” apresenta uma sonoridade mais experimental e eletrônica, com influências de Dance Music. "Ulysses" e "No You Girls" foram os principais singles. O álbum recebeu críticas mistas, com alguns fãs e críticos desapontados com a mudança de direção, enquanto outros elogiaram a inovação.
“Right Thoughts, Right Words, Right Action” foi lançado em 2013, marcando o retorno a um som mais próximo do Rock direto de seus primeiros discos, mas ainda com toques de experimentação. O álbum foi bem recebido, com faixas como "Love Illumination", "Right Action" e "Evil Eye" se destacando.
Já em 2018, a banda apresentou “Always Ascending”, sendo um disco mais voltado para a música eletrônica, mantendo uma fusão de Indie Rock e elementos de música dançante. O disco foi produzido por Philippe Zdar, do duo Cassius. Singles como "Always Ascending" e "Feel The Love Go" marcaram a sonoridade moderna e progressiva do álbum, que também recebeu críticas positivas, embora alguns fãs de longa data sentissem falta do estilo mais agressivo dos primeiros anos.
“Hits To the Head” de 2022 é uma coletânea que reúne grandes sucessos da carreira da banda, além de faixas inéditas. Este álbum apresenta uma boa oportunidade para novos fãs descobrirem o legado da banda e para os fãs antigos revisitarem as músicas mais marcantes.

2025: O Sexto Disco Do Franz Ferdinand

"The Human Fear" é o aguardado sexto álbum de estúdio do grupo, lançado oficialmente em 10 de janeiro de 2025 pela gravadora Domino. Este álbum marca uma nova fase para o grupo, com a entrada da baterista Audrey Tait, que substituiu o membro original Paul Thomson em 2021. A mudança na formação da banda trouxe uma nova dinâmica à sonoridade, sem perder as características que sempre os definiram no cenário do Indie Rock.
Gravado no AYR Studios na Escócia, "The Human Fear" foi produzido por Mark Ralph, que já havia trabalhado com a banda como engenheiro de gravação no álbum "Right Thoughts, Right Words, Right Action" de 2013. O título do disco reflete o tema central das músicas, que giram em torno dos medos humanos e da busca por emoções autênticas a partir dessas experiências, como explicou o guitarrista e vocalista Alex Kapranos.
Kapranos detalhou que o álbum aborda vários tipos de medo, incluindo o medo de isolamento social, o medo de deixar uma instituição, e o medo de continuar ou terminar um relacionamento. Esse conceito lírico é explorado de forma profunda e introspectiva ao longo das faixas, conferindo uma tonalidade mais emocional e existencial ao trabalho.
A promoção de "The Human Fear" começou em setembro de 2024, quando a banda anunciou o lançamento de um novo single intitulado "Audacious", lançado em 11 de setembro. No dia seguinte, os fãs descobriram detalhes sobre o álbum, incluindo a lista de lojas que disponibilizariam o disco e a confirmação de que "The Human Fear" seria o sexto trabalho de estúdio da banda. Junto com a revelação do single, foi confirmado que o álbum seria lançado em 10 de janeiro de 2025 pela Domino.
Além do álbum principal, edições especiais de "The Human Fear" incluem LPs adicionais com demos do álbum, proporcionando aos fãs uma visão mais detalhada do processo criativo por trás da produção.
Com este lançamento, o Franz Ferdinand continua sua trajetória musical, explorando novas sonoridades e temas, ao mesmo tempo em que se mantém fiel à sua essência no cenário do Rock Alternativo.

“The Human Fear”: Faixa A Faixa:

“Audacious” - A faixa de abertura já começa com um off de Alex Kapranos dizendo: “here we go with the riff one” (lá vamos nós com o riff um). É um canção simpática e extremamente melódica, além de ser dançante, com uma ponte que leva à um refrão grandioso, totalmente inspirado nas melhores canções de David Bowie e dos Beatles.

“Everydaydreamer” - A segunda canção do disco começa após um fim abrupto da faixa anterior, de forma tímida, com guitarra e baixo seguindo no mesmo riff enquanto a voz de Kapranos vai crescendo até chegar ao refrão, extremamente grudento e agradável. É válido ressaltar que o teclado dessa música é uma referência óbvia à New Wave da década de 80.

“The Doctor” - É outra homenagem aos anos 80, por sua faixa instrumental amplamente inspirada na New Wave e o Post Punk feito na década, e além disso, conserva a essência do início do Franz Ferdinand, sendo uma das faixas mais bacanas desse trabalho.

“Hooked” - Apresenta uma programação eletrônica, com teclados experimentais, muito ligados aos anos 80 e guitarras “industrializadas”, muito semelhante aos trabalhos anteriores da banda. É uma música que aborda alguns dos medos humanos, obsessões com diversos assuntos, seja com tatuagens, pessoas ou qualquer outra loucura.

“Build It Up” - Aborda a dificuldade de comunicação que algumas pessoas possuem em seus relacionamentos. É uma faixa interessante, que consegue mostrar a inovação inteligente que a banda aplicou neste novo trabalho.

“Night Or Day” - A música de número 6 é outra jóia no material novo, apresenta toda a melodia que sempre existiu na sonoridade do grupo e conta com um refrão extremamente dançante e fácil, bem como teclados marcantes.

“Tell Me I Should Stay” - Começa com um piano tímido que vai crescendo e dominando o ouvinte com uma atmosfera densa e impressionante, que conduz para uma linha de baixo envolvente, um caminho completamente diferente do início, com um refrão até alegre e grandioso, além do riff sensacional que proporciona uma energia muito positiva. É, com certeza, uma das melhores músicas de todo o catálogo da banda.

“Cats” - Vai aproximando o ouvinte da reta final do disco. Possui um riff de guitarra muito bem feito, muito melódico e característico da banda. É uma faixa que possui referência direta ao disco anterior, o “Always Ascending” de 2018, poderia ter sido gravada facilmente neste trabalho.

“Black Eyelashes” - É um experimento agradável de se ouvir, com guitarras e teclados que conversam entre si e completam ao longo dos 2 minutos e 52 segundos de duração da faixa.

“Bar Lonely” - A penúltima canção de “The Human Fear” é uma faixa animada, bem construída e com um refrão excelente, tendo a cara dos trabalhos mais clássicos da banda. O final é muito semelhante ao da clássica “Walk Away”, lançada em 2005, no disco “You Could Have It So Much Better“.

A última faixa de “The Human Fear” é “The Birds”, que se mostra a faixa adequada para fechar o disco. Com guitarras extremamente poderosas e que marcam a canção inteira, enquanto Kapranos canta que “os pássaros não se importam e não podem fazer nada”, tudo sobre a condição humana de se aceitar.

O saldo de “The Human Fear”

De acordo com o Metacritic, “The Human Fear” recebeu críticas geralmente favoráveis, com uma pontuação média ponderada de 72 em 100, baseada em 17 análises de críticos especializados. Esse resultado reflete uma recepção positiva do álbum, com muitos destacando a evolução da banda e a profundidade emocional de seus novos temas, especialmente a exploração dos medos humanos e as mudanças em sua formação. Embora não tenha gerado unanimidade, a crítica em geral reconheceu a continuidade da qualidade musical do Franz Ferdinand, enquanto a banda experimenta novas sonoridades e abordagens líricas.

Nota: DEZ.


quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

“1, 2, 3, 4! Contando O Tempo Com Os Paralamas Do Sucesso”: Um Livro Necessário Para Compreender A História Do Rock Brasileiro

Escrito pelo baterista João Barone, o livro mostra um panorama completo da trajetória de uma das bandas mais importantes da música brasileira, além de mostrar todo o contexto histórico do Rock Made In Brazil.


Por: Alessandro Costa



João Barone conta todas as suas aventuras com Os Paralamas Do Sucesso de forma dinâmica e detalhada.

Fonte: Alessandro Costa


Os Paralamas Do Sucesso são uma das mais importantes bandas da história da música brasileira, permanecendo em atividade desde 1981, com uma discografia extensa e inúmeras canções que se tornaram clássicos inquestionáveis da música brasileira, como “Vital E Sua Moto”, “Meu Erro”, “Alagados”, “Uma Brasileira”, “Cuide Bem Do Seu Amor”, entre muitos outros.


João Barone, o baterista que se tornou uma das figuras centrais dos Paralamas Do Sucesso, compartilha em seu livro "1,2,3,4! Contando O Tempo Com Os Paralamas Do Sucesso" uma narrativa intimista e detalhada de sua trajetória musical e pessoal, que se entrelaça com a própria história da banda. Com um estilo de escrita dinâmico e envolvente, Barone não apenas rememora sua vida ao lado de Herbert Vianna e Bi Ribeiro, mas também mergulha nas influências culturais, nos desafios da juventude e nas viradas que o levaram a se tornar uma das maiores lendas da música brasileira.

A obra, que se expande desde sua infância até 2002, com foco no início da carreira do grupo, é uma verdadeira cápsula do tempo que resgata a década de 70 e 80, períodos fundamentais para a construção do som dos Paralamas e, por consequência, para a música brasileira. Barone inicia a narrativa de maneira pessoal, detalhando suas primeiras experiências com a bateria, suas incertezas e o contexto político e cultural que moldava sua geração. O Brasil vivia o regime militar, com seus ecos de censura e repressão, enquanto o mundo se movimentava com a efervescência do rock e das novas linguagens musicais.

O ponto de partida da história é, sem dúvida, o encontro casual com Bi Ribeiro, que viria a mudar o rumo de sua vida e da banda. O acaso, como muitos momentos cruciais na história do Rock, se revela o motor propulsor que coloca João Barone no palco dos Paralamas Do Sucesso, substituindo temporariamente o baterista Vital Dias. A conexão entre os três músicos, Barone, Bi e Herbert Vianna , se torna imediata, e ali, em um improvisado show, se constrói o que veio a ser o futuro da banda.

A leitura segue pelos bastidores das gravações dos discos mais emblemáticos do grupo, como “O Passo do Lui” de 1984 e “Selvagem?”  de 1986, com detalhes sobre o processo criativo, a troca de ideias e as influências que marcaram a sonoridade dos Paralamas. O livro também explora momentos icônicos, como a gravação de “Alagados”, a colaboração com Gilberto Gil, e os encontros com lendas internacionais, como Stewart Copeland, baterista do The Police, e Brian May, guitarrista do Queen. Essas histórias são recheadas de entusiasmo e admiração, evidenciando o respeito que Barone tem pelos mestres da música.

Além disso, o baterista também exalta a importância dos diversos músicos de apoio que acompanharam a banda durante as últimas 4 décadas, como o tecladista João Fera, e todos os músicos que fecharam o lineup de metais, o que ajudou a consolidar ainda mais as características do som único dos Paralamas.

Além das memórias musicais, Barone compartilha com generosidade os aspectos técnicos de sua relação com a bateria. Ele detalha seu setup, seus pratos e preferências, traçando um perfil meticuloso de sua relação com a música e com seu instrumento. A sua devoção à marca Tama é um dos muitos toques pessoais que tornam o livro mais interessante para os fãs da arte de tocar bateria.

Claro que, em uma obra que percorre os primeiros 20 anos de carreira da banda, o acidente aéreo que quase tirou a vida de Herbert Vianna, e que vitimou fatalmente sua esposa Lucy, é um marco. Barone fala com sensibilidade sobre a tragédia e o impacto que teve não só na vida de Herbert, mas também em toda a dinâmica da banda, que precisou se reinventar diante de uma perda irreparável e de desafios imensos.

O livro se encerra por volta de 2002, mas deixa no ar uma possibilidade: será que teremos um segundo volume que conte as histórias dos Paralamas do Sucesso no século XXI? A obra, com seu formato autobiográfico, entrega o que o fã da banda mais deseja: uma visão íntima e sem filtros da construção do legado dos Paralamas Do Sucesso, mas ainda fica a sensação de que muitas histórias ainda estão por ser contadas.

 "1,2,3,4! Contando O Tempo Com Os Paralamas Do Sucesso" é uma leitura obrigatória para quem aprecia a música dos Paralamas Do Sucesso, o Rock Brasileiro e, especialmente, a arte de João Barone. Mais do que um relato sobre a formação de uma banda, é um mergulho na alma de um músico apaixonado que, por meio da bateria, ajudou a eternizar o som de uma geração.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Por qual motivo uma cinebiografia dos Ramones nunca vai acontecer? Marky Ramone explica

Nos últimos anos, os herdeiros da Ramones Productions protagonizaram muitas disputas judiciais, e isso dificulta ainda mais qualquer produção cinematográfica sobre a banda.


Por: Alessandro Costa



O primeiro disco que Marky gravou com os Ramones foi o “Road To Ruin”, de 1978.

Fonte: Danny Fields


A história dos Ramones, uma das bandas mais icônicas do punk rock, continua a gerar controvérsias quase três décadas após o encerramento de suas atividades. Os membros sobreviventes, seus familiares e antigos colaboradores têm se envolvido em batalhas jurídicas e discussões públicas sobre o legado da banda, refletindo as tensões e divergências que marcam o universo pós-Ramones.

Entre os protagonistas dessa história está Mickey Leigh, irmão do lendário vocalista Joey Ramone, que faleceu em 2001, e Linda Danielle “Ramone”, viúva do guitarrista Johnny Ramone, falecido em 2004. Os dois têm travado disputas legais ao longo dos últimos 20 anos, com um dos capítulos mais recentes envolvendo um processo de Linda contra Mickey, referente ao uso do nome da banda em um projeto biográfico sobre Joey Ramone.

O Processo de Linda Danielle contra Mickey Leigh

Em 2024, Linda "Ramone" processou Mickey Leigh por alegações de uso indevido do nome Ramones. A disputa surgiu em meio à produção de uma série biográfica sobre Joey Ramone para a Netflix. O projeto é baseado no livro Eu Dormi Com Joey Ramone, escrito por Mickey em parceria com Legs McNeil, da Punk Magazine, e publicado em 2011. Linda acusa Leigh de não ter autorização para utilizar o nome da banda de forma tão explícita na produção da série.

Para entender a gravidade da situação, é importante considerar que tanto Linda quanto Mickey têm se considerado defensores do legado dos Ramones, mas com abordagens muito diferentes. Linda, por ser esposa de Johnny Ramone, sempre teve um papel fundamental na preservação da memória de seu marido e da banda, mas sua ausência durante os anos de formação e crescimento da banda é um ponto de discórdia.

Marky Ramone: A Visão do Baterista Sobre a Produção Cinematográfica

Marky Ramone, baterista da banda entre 1978 e 1983, retornando para a formação em 1987 e permanecendo até o encerramento das atividades da banda em 1996, tem sido uma das vozes mais críticas em relação às recentes tentativas de revisitar a história dos Ramones no cinema. Em entrevista à WENN, Marky expressou desconfiança sobre as iniciativas envolvendo a família de Johnny Ramone, particularmente a viúva Linda. Para o baterista, Linda não tem a qualificação necessária para supervisionar projetos cinematográficos sobre a banda, uma vez que não estava presente na formação original nem nos primeiros anos cruciais da carreira do grupo.

"Tem havido muita conversa sobre filmes, mas os membros da família, as segundas esposas e os irmãos, essas pessoas não estavam lá o tempo todo", afirmou Marky. "Não permitimos que as namoradas ou as esposas viajassem conosco em turnê, então quão preciso isso pode ser?", questionou ele, destacando a falta de envolvimento de Linda nas turnês e na formação do som dos Ramones.

A opinião de Marky reflete uma crítica mais ampla sobre a produção de filmes e documentários sobre ícones do rock. Para ele, projetos como The Runaways e CBGB, que trataram de outros marcos da cultura punk, não conseguiram capturar a essência do que foi vivido pelos músicos, o que reforça sua relutância em participar de qualquer projeto que não envolva aqueles que realmente estavam no "núcleo" da banda.

Além disso, Marky é categórico ao afirmar que não permitiria que sua imagem fosse retratada em um filme que não contasse com a participação ativa de quem vivenciou a história desde o início. Ele cita, por exemplo, o filme CBGB, que, embora abordasse a história do lendário clube de Nova York, falhou em retratar com precisão a história dos Ramones.

O Papel de Linda Ramone no Cinema e a Autobiografia de Johnny Ramone

Linda Ramone, por sua vez, tem se mostrado determinada a contar a história de sua própria perspectiva e, mais especificamente, a transformar a autobiografia de Johnny Ramone, Commando, lançada em 2012, em um filme. Em entrevista recente, ela revelou estar em negociações para adaptar a obra de seu falecido marido para o cinema, o que inclui uma tentativa de obter financiamento e apoio para que o projeto ganhe vida. No entanto, as críticas de Marky Ramone e de outros ex-integrantes da banda sugerem que o projeto enfrentará obstáculos, principalmente por conta da falta de consenso sobre quem detém a verdadeira autoridade sobre a história dos Ramones.

Apesar das críticas de Marky, Linda parece continuar sua batalha pelo legado do seu marido. No entanto, sua capacidade de influenciar o futuro da franquia dos Ramones no cinema ainda está longe de ser garantida, especialmente considerando o ceticismo de figuras-chave como o próprio Marky Ramone.

A Retorno de Marky Ramone ao Brasil

Enquanto as discussões sobre o legado dos Ramones continuam a se desenrolar, Marky Ramone segue com sua própria jornada musical. Em 2025, ele retornará ao Brasil para uma série de shows com sua banda, Marky Ramone’s Blitzkrieg. A turnê promete exaltar os clássicos dos Ramones para os fãs brasileiros, e inclui apresentações em Brasília, Belo Horizonte, São Paulo e Suzano, com uma data ainda a ser revelada. Os ingressos para o show de São Paulo, que acontece no dia 5 de abril, podem ser adquiridos nas bilheteiras da Galeria do Rock, The Metal Bar e no site Clube do Ingresso, com preços que variam entre R$ 210 (pista meia-entrada) e R$ 520 (camarote inteira).

Ao se preparar para voltar aos palcos, Marky Ramone continua a defender sua versão dos acontecimentos, mantendo-se fiel à memória dos Ramones como um dos principais pilares do punk rock, e parece disposto a manter sua imagem e história intactas, longe de distorções ou representações imprecisas em filmes.




domingo, 29 de dezembro de 2024

5 Grandes Discos Lançados Em 2024

 5 Grandes Discos Lançados Em 2024

O ano de 2024 foi marcado por grandes lançamentos nacionais e internacionais, e aqui vamos lembrar alguns desses momentos brilhantes.


Por: Alessandro Costa

30/12/2024




Gigantes da música nacional e internacional escreveram capítulos importantes em 2024
Fonte: autor


O cenário musical mundial foi bastante movimentado ao longo do ano de 2024, uma vez que diversos artistas consolidados renovaram seus horizontes e apresentaram produções memoráveis com grande qualidade. Isso aconteceu tanto no Brasil quanto no resto do mundo.



“The Mandrake Project” foi um álbum muito aguardado pelo público.

Fonte: Spotify


A presente lista começa com um dos álbuns mais aguardados do mundo do Heavy Metal. “The Mandrake Project”, sendo o 7º álbum de Bruce Dickinson, icônico vocalista do Iron Maiden.

A composição do álbum foi dividida entre Roy Z e Bruce Dickinson. Este é o primeiro trabalho solo de Dickinson em quase duas décadas, desde “Tyranny of Souls”  de 2005, marcando o maior intervalo entre dois álbuns de estúdio em sua carreira solo. Para promover o lançamento, o artista anunciou uma turnê mundial, que passou pelo Brasil entre abril e maio de 2024.

O álbum foi anunciado em 1º de dezembro de 2023, acompanhado pelo lançamento de seu primeiro single, “Afterglow Of Ragnarok”, o anúncio de uma série complementar de histórias em quadrinhos a ser publicada em 2024 e as datas de uma turnê pelo Reino Unido e Europa, programada para a primavera e o verão.

Parte do comunicado oficial destacou que o álbum seria uma obra conceitual e narrativa, complementada por uma série de 12 edições de histórias em quadrinhos publicadas pela Z2 Comics. A trama foi criada por Bruce, adaptada para os quadrinhos por Tony Lee e ilustrada por Staz Johnson. A história foi descrita como "sombria e adulta, abordando temas de poder, abuso e a busca por identidade, ambientada em um cenário que mistura genialidade científica e ocultismo".

O primeiro single, "Afterglow of Ragnarok", foi disponibilizado digitalmente e em vinil de 7", em uma capa gatefold, que incluía uma história em quadrinhos de 8 páginas. O lado B do vinil trouxe a versão demo solo original de Dickinson para "If Eternity Should Fail", música presente no álbum “The Book of Souls”  de 2015, do Iron Maiden.

O segundo single, "Rain on the Graves", foi lançado em 25 de janeiro de 2024 pela BMG Records, acompanhado por um videoclipe no mesmo estilo do primeiro single. A faixa destaca um riff de guitarra marcante, seções de teclado e uma performance vocal envolvente e narrativa. A composição foi inspirada por uma visita de Dickinson ao túmulo do poeta romântico William Wordsworth, no Lake District.

A faixa "Eternity Has Failed" é uma nova versão de "If Eternity Should Fail", com uma melodia revisada e letras ligeiramente diferentes, conferindo à música uma nova perspectiva.

Outras canções do álbum merecem destaque, como “Many Doors To Hell”, “Resurrection Men", “Fingers in the Wounds” e “Shadow Of The Gods”, que Bruce havia planejado gravar em parceria com Rob Halford, vocalista do Judas Priest, e o saudoso Ronnie James Dio, falecido em 2010.

Destaque para as faixas: “Afterglow Of Ragnarok”, “Many Doors To Hell”, “Resurrection Man”, “Shadow Of The Gods” e “Sonata (Immortal Beloved)”.


“Invincible Shield” é um dos maiores discos da carreira do Judas Priest
Fonte: Spotify

Outro grande lançamento de 2024 para o Heavy Metal e o Rock n’ Roll em geral é o brilhante “Invincible Shield" do Judas Priest, lançado em 6 de março.

O disco foi produzido por Andy Sneap, guitarrista de turnê da banda, que também assinou a produção de “Firepower”  de 2018. As duas últimas faixas do disco, "Sons Of Thunder" e "Giants In The Sky", contaram com coprodução de Tom Allom.

No seu lançamento, o disco alcançou a segunda posição na UK Albums Chart, a classificação mais alta da carreira da banda até o momento. Nos Estados Unidos, ficou em 18º lugar na Billboard 200 e liderou a parada Billboard Top Hard Rock Albums, registrando 25.000 unidades vendidas na primeira semana de sua estreia.

Destaque para as faixas: “Panic Attack”, “The Serpent And The King”, “Devil In Disguise”, “Gates Of Hell”, e “As God Is My Witness”. 


Com mais de 50 anos de carreira, o Deep Purple mostra que é possível envelhecer com relevância.
Fonte: Spotify

Em excelente forma e muito ativos, os caras do Deep Purple, com mais de 50 anos de carreira, lançaram “=1”, sendo o 23º álbum de estúdio da banda.

Lançado em 20 de julho de 2024 pela earMUSIC/Edel AG, o disco marca a estreia do guitarrista Simon McBride, que substituiu o guitarrista de longa data Steve Morse em 2022. Além disso, é o quinto álbum da banda produzido por Bob Ezrin, que colaborou com o grupo em todas as produções desde “Now What?!” de 2013.


“=1” foi descrito com um conceito vago que aborda a ideia de que, em um mundo cada vez mais complexo, tudo eventualmente se reduz a uma essência única e unificada, com o tema de que "tudo é igual a um".

O escritor musical John Aizlewood destacou a evolução da voz do cantor Ian Gillan, que ele considerou "mais rica do que nos últimos anos".

Destaque para as faixas: “Show Me”, “Sharp Shooter”, “Portable Door”, “Pictures Of You” e “Lazy Sod”.



Paulo Miklos Ao Vivo foi gravado de modo intimista e é um presente para os fãs multi artista.
Fonte: Spotify

2024 também foi muito importante para a música brasileira, pois Paulo Miklos, o eterno vocalista dos Titãs, presenteou seu público com seu aguardado primeiro álbum ao vivo solo, "Paulo Miklos (Ao Vivo)". Gravado em um momento importante de sua carreira, em março de 2023 no Blue Note, o álbum traz uma seleção cuidadosamente escolhida de 15 faixas que revelam toda a trajetória do artista. Entre elas, estão clássicos imortais dos Titãs, com os quais Miklos conquistou gerações de fãs, além de músicas de sua interessante e pouco explorada carreira solo.

Esse disco ao vivo captura a energia contagiante e a intimidade de um dos shows mais bacanas da música brasileira, onde cada acorde, cada verso, é uma celebração de sua história. 

O disco está disponível em todas as principais plataformas de streaming, e, aparentemente, não será lançado em mídia física.

Destaque para as faixas: “Todo Esse Querer”, “Um Misto De Todas As Coisas”, “Sabotage Está Aqui”, “País Elétrico” e “Vou Te Encontrar”.


Em “From Zero”, o Linkin Park não tenta substituir ninguém, escrevendo um novo e importante capítulo em sua história.
Fonte: Spotify

“From Zero” é o primeiro álbum de estúdio do Linkin Park desde “One More Light” de 2017, marcando o maior intervalo entre lançamentos da banda. Este também é o primeiro trabalho com a vocalista Emily Armstrong e o baterista Colin Brittain, após a morte do icônico vocalista Chester Bennington em 2017 e a saída do baterista Rob Bourdon em 2018. O título do álbum carrega um duplo significado: além de ser uma referência ao nome original da banda, Xero, também simboliza o início de um novo capítulo para o grupo.

Antes do lançamento oficial do álbum, quatro singles foram revelados para o mundo: "The Emptiness Machine", "Heavy Is the Crown", "Over Each Other" e "Two Faced". “From Zero” recebeu críticas geralmente favoráveis da imprensa especializada e se destacou comercialmente, conquistando o primeiro lugar nas paradas de mais de 10 países. Em apoio ao álbum, a banda iniciou a “From Zero World Tour” em setembro de 2024, com previsão de término em novembro de 2025.

Destaque para as faixas: “The Emptiness Machine”, “Heavy Is The Crown”, “Two Faced”, “Overflow” e “Casualty”.



quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Entre erros e acertos, qual é o saldo definitivo de "Supercharged"? O novo disco do Offspring.


"Supercharged" possui canções poderosas, mas também há músicas embaraçosas e desnecessárias no meio.

Por: Alessandro Costa
19/12/2024



O Offspring é uma das bandas mais populares e influentes do cenário punk rock, formada em 1984 em Garden Grove, Califórnia. Sua formação original contou com o vocalista (e guitarrista em algumas músicas) Dexter Holland, o guitarrista Noodles (Kevin Wasserman), o baixista Greg K. e o baterista Ron Welty. Ao longo dos anos, ocorreram algumas mudanças na formação, como a saída confusa e pouco explicada do baterista Ron Welty em 2001, e, em 2019, a expulsão, que também não foi explicada até hoje, do baixista Greg K.

A banda ficou conhecida por seu estilo energético, letras irreverentes e por misturar elementos de punk, rock alternativo e até pop punk.

O Offspring começou sua carreira tocando em pequenos clubes e lançando álbuns independentes, com destaque para o primeiro disco, "Ignition" de 1992. Contudo, foi o terceiro álbum, "Smash" de 1994, que levou a banda ao sucesso. "Smash" foi um enorme sucesso comercial e incluiu hits como "Self Esteem" e "Come Out and Play", que ajudaram a banda a atingir um público global, tornando-se o disco independente mais vendido da história da música.

Após "Smash", a banda lançou "Ixnay On The Hombre" em 1997, que continuou a trazer sucesso tanto nos Estados Unidos quanto no resto do mundo. O álbum seguiu o estilo punk, mas com maior experimentação sonora.

Assim, o Offspring se tornou uma das bandas de rock mais conhecidas do mundo. Com "Americana" lançado em 1998, a banda continuou sua jornada de sucesso com faixas como "Pretty Fly (For A White Guy)" e "Why Don't You Get a Job?", que alcançaram o mainstream. "Conspiracy Of One" de 2000 parece um irmão gêmeo idêntico de "Americana", pois seguiu exatamente a mesma sonoridade e os mesmos tipos de sons variados, destacando faixas como "Want You Bad" e "Original Prankster".

Em 2003, após a saída misteriosa do baterista Ron Welty, lançaram "Splinter", que incluiu o single "Hit That".

Ao longo de sua carreira, a banda experimentou diferentes estilos e manteve sua sonoridade vibrante e cheia de energia, embora tenha recebido algumas críticas pelas mudanças em sua abordagem musical, como no disco "Rise and Fall, Rage and Grace"  lançado em 2008, que, apesar dos sucessos "You're Gonna Go Far, Kid" e "Hammerhead", deixou muitos fãs confusos.

O próximo álbum demoraria um pouco a ser lançado: "Days Go By"  de 2012, que, mesmo com o relativo sucesso da faixa-título, não emplacou grandes sucessos, embora seja um bom disco. Somente em 2021, em plena pandemia, o Offspring lançou um novo álbum, "Let the Bad Times Roll", já sem o baixista Greg K., que chegou às lojas sem grande alarde.

A capa de "Supercharged" pode ser entendida como uma referência/homenagem ao lendário "Smash", o primeiro disco de sucesso do Offspring, lançado em 1994.
Fonte: autor

Agora, em 2024, somos surpreendidos com o anúncio de "Supercharged", lançado 30 anos após o lendário "Smash", e a capa é uma óbvia referência a esse icônico álbum.

Em uma entrevista realizada em setembro de 2022 para a Rádio Rock 89FM, o vocalista Dexter Holland revelou que o Offspring havia iniciado o trabalho no novo material para seu décimo primeiro álbum de estúdio: "Nós queríamos manter as coisas em movimento. Tivemos que tirar um tempo durante a pandemia e sentimos como se fosse um novo começo: 'Estamos de volta, vamos aproveitar ao máximo agora.' Então, começamos a trabalhar em um novo álbum", explicou. Em novembro do mesmo ano, Holland comentou ao Times Colonist que a banda iniciaria as gravações em janeiro de 2023. Em março de 2023, o Offspring anunciou nas redes sociais que estava "de volta ao estúdio".
Em setembro de 2023, quando o guitarrista Noodles foi questionado sobre a sonoridade do novo material — se seguiria uma linha "old-school" ou representaria uma "nova era" para a banda — ele respondeu: "É um pouco de ambos. A última música que fizemos definitivamente tem uma pegada old-school, algo como 'Come Out Swinging' (do disco Conspiracy of One de 2000). Tem um pouco de coisas antigas, algumas mais voltadas para o rock e também um toque de pop punk, sem dúvida."
Em uma entrevista de maio de 2024 com a rádio 99X de Atlanta, tanto Holland quanto Noodles confirmaram que o décimo primeiro álbum da banda estava concluído. Na época, estavam finalizando a arte da capa e decidindo o título. No mês seguinte, foi anunciado que o álbum se chamaria Supercharged e seria lançado em 11 de outubro de 2024. O primeiro single, "Make It All Right", foi lançado em 7 de junho; o segundo single, "Light It Up", saiu em 2 de agosto; e o terceiro, "Come to Brazil", foi lançado em 13 de setembro.


Em comunicado à imprensa, Holland explicou: "Queríamos que este álbum fosse puro em termos de energia — do começo ao fim! É por isso que o chamamos de Supercharged. Falamos sobre tudo nele... desde o auge de nossas aspirações até as profundezas de nossas lutas. É uma celebração da vida que compartilhamos e de onde estamos agora."

As gravações ocorreram em três locais diferentes: Maui, Vancouver e o estúdio da banda em Huntington Beach.

Com produção de Bob Rock, que já havia trabalhado com o Offspring em outros discos, "Supercharged" apresenta 10 músicas inéditas, com Dexter Holland na guitarra e voz, Noodles na guitarra, além dos músicos contratados Todd Morse no baixo, Josh Freeze e Brandon Pertzborn dividindo a bateria em algumas faixas.

“Supercharged” - Faixa a faixa:

“Looking Out for #1” abre o disco com uma programação interessante de teclados, segue de maneira intensa e há uma quebra na ponte que leva ao refrão explosivo. É uma canção potente e poderia muito bem abrir os shows dessa nova turnê. Ao mesmo tempo, me lembra muito um grande sucesso de 2008: "You’re Gonna Go Far, Kid".

A segunda faixa é “Light It Up”, de longe a minha favorita em Supercharged, pois é uma mistura dos melhores hardcores que o Offspring já fez até hoje. Precisa, urgente, enérgica, agradável e que não te deixa respirar. É uma grande música, com a mesma fórmula de sempre que funcionou com louvor e merece um lugar fixo nos shows da banda.

A faixa número 3 é “The Fall Guy”, que já se tornou a favorita de muitos fãs. Apesar de ser uma música até ok, me soa como uma tentativa de repetir a clássica “The Kids Aren’t Alright”, lançada em 1998, no álbum Americana, só que sem a mesma atitude e brilho.

O disco segue com a boba “Make It All Right”, que pode ser considerado um dos pontos mais baixos da carreira do Offspring. Curiosamente, foi o primeiro single de "Supercharged". É outra tentativa forçada de repetir uma fórmula de sucesso do passado. Soa como uma versão "low budget" de “Pretty Fly (For A White Guy)”, tentando ser engraçadinha e pegajosa, mas que não passa de um super constrangimento.

Outra canção constrangedora é “Ok, But This Is the Last Time”, que mais parece um Blink 182 com gases.

“Truth in Fiction” é aquele hardcore bem feito e poderoso que o Offspring sabe fazer muito bem. É uma música animada, super pra cima e que empolga logo nos dois primeiros segundos. Com um riff ao melhor estilo Ramones, a sexta faixa de "Supercharged" é com certeza a minha segunda favorita nesse álbum.

A sétima música é a famigerada “Come To Brazil”, uma boa homenagem a um país que sempre acolheu bem o Offspring e possui fãs fiéis. A música flerta com o heavy metal, com riffs bacanas e espertos. É uma ótima música, seu único defeito é a letra fraca: “So if you wanna party and rock and roll, with a kiss on both cheeks and more churrasco, then bring a lot of guitar picks and Sharpie skills, when you come to Brazil.”

"Supercharged" caminha para a reta final com a interessante “Get Some”, uma canção esperta, que me parece uma fusão super criativa de Rolling Stones com AC/DC, trazendo um frescor diferente para a audição do disco. Um ponto luminoso na carreira da banda, com certeza.

“Hanging by a Thread” é a nona faixa, uma canção simples que não faz feio, sendo um ponto memorável em "Supercharged", com um ótimo refrão que chega a empolgar o ouvinte.

Assim, "Supercharged" encerra-se com chave de ouro: “You Can’t Get There From Here”, que possui uma introdução enigmática e leva a uma grande canção, perfeita para fechar o disco e concluir que, entre algumas músicas fracas, o saldo é ainda muito positivo.


Pontos positivos de "Supercharged"

Eu acompanho o Offspring desde 1999, quando "Pretty Fly (For a White Guy)" estourou nas rádios de todo o Brasil, e, com o passar dos anos, fui acompanhando fielmente todos os seus lançamentos, vivendo cada um deles de maneira única. Por essa razão, o maior ponto positivo de "Supercharged" é o fato de a banda permanecer na ativa e com dignidade. Apesar dos equívocos no álbum, é muito bom ver Dexter e Noodles seguindo em frente, com muito bom humor.

Pontos negativos de "Supercharged"

É claro que, por mais que seja ótimo ver o Offspring em plena atividade, 40 anos depois de sua fundação, existem alguns pontos a serem considerados sobre o novo disco, como o excesso de retoques na voz de Dexter, a sonoridade “achatada” e “industrializada”, a falta de mais pegada e uma produção mais punk no álbum. Senti falta de um contrabaixo mais alto e de um peso maior nas guitarras. Parece que pegaram todos os instrumentos, jogaram em um liquidificador e a sonoridade acabou ficando uniforme demais… O que, por um lado, pode ser positivo se compararmos ao álbum anterior, "Let the Bad Times Roll", que, apesar de contar com grandes canções, tem uma produção mais parecida com uma colcha de retalhos, com cada música soando de uma maneira diferente.

Além disso, querer repetir a fórmula única para emplacar músicas clássicas como “Pretty Fly (For A White Guy)” e “You’re Gonna Go Far, Kid” me soa como uma tentativa desesperada de emplacar um sucesso nas rádios, o que evidentemente não funciona, uma vez que essas músicas foram compostas de forma muito espontânea, e isso é impossível de se repetir.

No mais, "Supercharged" é um bom álbum, mas que deixa a sensação de que a banda deveria ter se preocupado em fazer um disco de peso. Eles já provaram que são bons nisso e poderiam ter esquecido os padrões estabelecidos para tocar no rádio, com um foco maior nos seus fãs e nas pessoas que apreciam e respeitam o trabalho construído ao longo de quatro décadas.

Nota: 8,0

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